Olá, meus queridos(as) leitores(as), que tal informar-se a respeito do câncer melanoma? Você saberia dizer qual o tipo de biopsia ideal a se fazer nos casos de suspeita? 

COMO IDENTIFICAR UM MELANOMA NA PELE?

O diagnóstico do câncer de pele melanoma é geralmente realizado por exame clínico não invasivo, efetuado por um profissional dermatologista, também chamado “dermatoscopia”. Esse exame se utiliza de um aparelho que permite visualizar algumas camadas da pele não vistas a olho nu. Para saber mais sobre esse exame leia o meu artigo sobre o papel da dermatocospia digital no diagnóstico de melanoma.

Em alguns casos, a dermatoscopia pode não ser suficiente para um diagnóstico, então a utilização de um exame invasivo, como a biópsia de câncer de pele, pode  ser  de fato exigido para o diagnóstico do câncer de pele melanoma em alguns casos.

QUAL A BIÓPSIA IDEAL PARA O MELANOMA?

A biópsia de uma lesão pigmentada suspeita visa estabelecer o diagnóstico e o estadiamento do tumor para o planejamento da terapia cirúrgica definitiva. Além disso, uma biópsia excisional remove completamente o tumor. Diferentes métodos de biópsia são variavelmente eficazes para alcançar esses objetivos e é importante escolher o método mais adequado conforme os objetivos da biópsia, o local, o tamanho da lesão, o índice de suspeita de melanoma, a probabilidade de tumor invasivo, e os fatores do doente, incluindo as comorbidades e a idade.

QUAIS OS TIPOS DE BIÓPSIAS EXCISIONAIS?

Excisão elíptica e sutura primária

O método ideal para lesões cutâneas suspeitas de melanoma é a excisão completa com margem de 2 mm. Uma espécie de elipse deve seguir as linhas de tensão cutânea relaxada com a margem profunda subcutânea. A sutura primária é o método preferível de fechamento após biópsia excisional e retalhos de pele ou enxertos devem ser evitados, pois, estes podem comprometer a re-excisão definitiva.

A excisão completa facilita melhor o diagnóstico preciso e o microestadiamento comparados às técnicas de biópsias parciais.

Biópsia por saucerização e biópsia por “punch”

Métodos de biópsia por “punch” e a biópsia por saucerização também podem ser usadas para excisão completa, sendo mais associadas positivamente do que excisão elíptica e sutura primária. 

A biópsia por saucerização pode ser definida como uma remoção de um disco de tecido, por bisturi ou lâmina de barbear encurvada que visa remover completamente a lesão tanto perifericamente quanto em profundidade. No entanto, habilidade e prática são necessárias para executar o procedimento eficazmente. 

Já a biópsia por “punch” realiza a remoção da parte suspeita da pele através de cilindro de superfície cortante de diâmetro fixo girado de forma rotatória, aprofundando-se na pele e permitindo a remoção de parte em interesse até a gordura subcutânea.

A biópsia por saucerização irá remover melanomas finos e são mais propensas a retirar as margens tumorais com o aumento da espessura tumoral. O despedaçamento da base tumoral pode levar à perda de quantidades limitadas de tumores residuais, que podem ser destruídos por inflamação e cicatrização de feridas, e pode comprometer a capacidade de avaliar com precisão a profundidade do tumor para prognóstico, estadiamento preciso e planejamento do tratamento.

Desse modo, a biópsia por saucerização está se tornando mais amplamente utilizada e nos estudos mais recentes foi o modo predominante de biópsia para melanoma, especialmente por dermatologistas em todo o mundo. Ela tem as vantagens de ser relativamente rápida, barata e exigir pouco equipamento ou assistência pessoal. O procedimento permite, assim, a realização de maior número de biópsias, incluindo lesões com menores índices de suspeita. Os atrasos são minimizados na realização desse procedimento de biópsia, pois muitas biópsias são conduzidas como parte da consulta e não exigem outra consulta. 

Biópsias parciais

Os métodos de biópsia parciais avaliados incluem a biópsia parcial de “punch”, a biópsia parcial de saucerização e, em menor grau, a biópsia incisional. Às vezes, a biópsia parcial pode ser o modo mais adequado de biópsia para lesões grandes, nos locais de extremidades  ou em outros locais difíceis onde uma biópsia excisional pode ter resultados funcionais, estéticos indesejados, ou em pacientes com comorbidades significativas.

O estadiamento preciso do tumor na biópsia parcial permite o prognóstico e o planejamento da terapia cirúrgica adequada para o tumor primário. A compreensão do melanoma como resultado de biópsia parcial já foi examinada em vários estudos. Os aumentos na espessura tumoral na avaliação de melanoma residual em excisão local ampla após biópsia parcial foram mostrados em 3,5%-44% de biópsias de saucerização e 34%-38% de biópsias de “punch”. A variação pode ser explicada por diferentes intenções por parte dos clínicos de remover parcial ou completamente o tumor no procedimento de biópsia inicial. Para saber mais sobre o estadiamento do câncer, assista ao meu vídeo.

Em caso de mais dúvidas sobre o assunto, clique abaixo e fale com meu time. Estaremos prontos em esclarecê-las!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326

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