Olá, queridos(as) leitores e pacientes! Hoje explico um pouco sobre um método de diagnóstico de câncer de pele não-invasivo já citado em outros artigos aqui do blog: a dermatoscopia. Não deixe de assistir o vídeo acima.
COMO SE ORIGINA O CÂNCER DE PELE?
O câncer de pele melanoma tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e é mais frequente em adultos brancos. Essa doença pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas (membrana que recobre internamente a superfície úmida de órgãos ocos do trato digestivo, do aparelho respiratório e do sistema uro-genital), na forma de manchas, pintas ou sinais. Nos indivíduos de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.
Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. É o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do câncer para outros órgãos).
QUAIS OS SINAIS E SINTOMAS?
O melanoma pode surgir a partir da pele normal ou de uma lesão pigmentada. A manifestação da doença na pele normal se dá após o aparecimento de um nevo (lesões benignas popularmente conhecidas como mancha, pinta ou sinal) escura de bordas irregulares acompanhada de coceira e descamação.
Em casos de uma lesão pigmentada pré-existente ocorre aumento no tamanho, alteração na coloração e na forma da lesão, que passa a apresentar suas bordas irregulares.
COMO É REALIZADO O DIAGNÓSTICO?
O diagnóstico é normalmente realizado pelo dermatologista, através de exame clínico. Por isso, é de suma importância que o indivíduo ao perceber as alterações comentadas anteriormente, procure um especialista o mais rápido possível, a detecção precoce do câncer é uma estratégia utilizada para encontrar um tumor numa fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de um tratamento bem-sucedido.
O QUE É A DERMATOSCOPIA?
Em algumas situações, o especialista deve utilizar a dermatoscopia, método de diagnóstico em que se usa um aparelho (dermatoscópio) que permite visualizar algumas camadas da pele não vistas a olho nu.
O objetivo do exame é identificar o melanoma em uma fase inicial, quando ainda não se apresenta como uma lesão suspeita a olho nu ou mesmo à dermatoscopia no momento da primeira avaliação. Desta forma, melanomas muito iniciais e que não podem ser diferenciados de nevos são detectados de modo mais precoce possível por apresentarem modificações a longo do tempo, mesmo que discretas e perceptíveis somente à dermatoscopia digital.
O QUE A CIÊNCIA DIZ SOBRE O EXAME?
Em um estudo, a sensibilidade (percentual de resultados positivos dentre as pessoas que tem uma determinada doença ou condição clínica) para o diagnóstico de melanoma usando monitoramento dermatoscópico se mostrou sendo de 94% a curto prazo e a especificidade (capacidade do mesmo teste ser negativo nos indivíduos que não apresentam a doença que está sendo investigada) de 84%. Para o monitoramento de longo prazo, três estudos mostraram uma alta especificidade (95–96%) para o diagnóstico de melanoma, entretanto a sensibilidade não foi avaliada.
Quatro estudos mais recentes, todos realizados em um ambiente especializado, mostram consistentemente que a dermatoscopia digital (DG) permite a detecção de melanoma que carece de provas dermatoscópicas de malignidade. Além disso, o impacto do uso rotineiro da DG tem sido demonstrado em múltiplos estudos como sendo alto no que diz respeito à proporção de melanomas detectados pela técnica.
Em três estudos de pacientes de alto risco moderado em um ambiente especializado, a DG permitiu a detecção de 34–61% dos melanomas dos pacientes. Em dois estudos na prática dermatológica de rotina entre 12–55% dos melanomas detectados e em 52% em um ambiente de telemedicina (distribuição de serviços e informações relacionadas à saúde através de tecnologias eletrônicas).
A DG de curto prazo permitiu a detecção de 33% dos melanomas dos pacientes em um ensaio clínico de médicos de cuidados primários, porém a DG de rotina de longo prazo de múltiplos nevos em pacientes de menor risco é menos eficaz. Finalmente, a DG foi demonstrada em dois ensaios observacionais prospectivos tanto em um especialista (tanto em monitoramento de curto como de longo prazo) e em um ambiente de cuidados primários (monitoramento de curto prazo) para reduzir significativamente a relação de procedimentos de remoção: melanoma e o número de lesões melanocíticas benignas removidas.
COMO POSSO ME PREVENIR?
A diminuição da exposição solar é a melhor maneira de prevenção a todas as categorias de cânceres de pele. Segundo o INCA, deve-se evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, isso porque nessa faixa horária os raios são mais intensos, visto que o maior fator de risco da doença é a sensibilidade ao sol.
Entretanto, também é recomendado procurar lugares com sombra, usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV (proteção contra raios ultravioleta), sombrinhas e barracas mesmo em outros períodos do dia. Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo, e usar filtro solar próprio para os lábios.
Em caso de mais dúvidas e informações sobre esse exame, entre em contato comigo clicando no botão abaixo que estarei disposto a esclarecê-las!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326

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