Pele humana artificial foi utilizada para bloquear os mecanismos que levam ao desenvolvimento de um câncer de pele.
A ciência está sempre em busca de novas opções para aprimorar as pesquisas, tanto na área básica como na aplicada. É importante contar com modelos que se aproximam ao máximo das condições que vemos no dia a dia do consultório.
Novos caminhos estão possibilitando estudar novas terapias para o câncer de pele utilizando um modelo experimental de pele humana artificial.
Como a ciência pode nos ajudar através da pele artificial?
O câncer, de uma forma geral, acontece quando nossas células começam a desenvolver e multiplicar desordenadamente, alterando toda a característica do tecido. No caso do câncer de pele, são as células da pele que se multiplicam anormalmente, surgindo um tumor maligno.
Para o surgimento de métodos de diagnóstico, terapias e medicamentos é importante que tenhamos modelos que nos possibilitem estudar essas doenças, incluindo o câncer de pele. Além de pesquisas nessas áreas, grupos de pesquisadores também se esforçam para melhorar estes modelos experimentais.
A pele artificial é um novo modelo experimental, que consiste em células de pele humana artificial, geneticamente manipuladas. Ao contrário dos modelos de ratos, o modelo de pele, sendo outra palavra para pele artificial, permite aos investigadores introduzir alterações genéticas artificiais de forma relativamente rápida, o que fornece informações sobre os mecanismos de desenvolvimento e renovação da pele.
Dessa forma, eles também conseguem reproduzir e acompanhar o desenvolvimento de outras doenças de pele, não apenas do câncer de pele. Além disso, a pele artificial se assemelha muito à pele humana e por isso é mais fácil saber se determinado tratamento poderia ser utilizado em humanos.
Novas descobertas através da pele artificial.
Ao utilizar a pele humana artificial, um grupo de pesquisadores da Universidade de Copenhaga conseguiu entender e bloquear o crescimento invasivo de um câncer de pele. Eles avaliaram quais vias de sinalização que ocorrem na célula da pele são responsáveis pelo crescimento e divisão celular. Eles perceberam que mudanças nessas vias, levam a um crescimento invasivo.
A partir desse entendimento, utilizaram medicamentos que permitem bloquear essa vida de sinalização, permitindo a interrupção do crescimento das células malignas.
Estas descobertas auxiliam em novos avanços no tratamento do câncer de pele.
É importante que nos mantenhamos atualizados sobre os avanços nas pesquisas e como estes resultados promissores podem nos ajudar futuramente no tratamento do câncer de pele.
Além disso, é importante que sempre nos lembremos que a prevenção é o mais importante. O uso de proteção solar é o primeiro passo que devemos ter contra o câncer de pele.
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
Fonte:Zilu Ye, Gülcan Kilic, Sally Dabelsteen, Irina N. Marinova, Jens F. B. Thøfner, Ming Song, Asha M. Rudjord-Levann, Ieva Bagdonaite, Sergey Y. Vakhrushev, Cord H. Brakebusch, Jesper V. Olsen, Hans H. Wandall. Characterization of TGF-β signaling in a human organotypic skin model reveals that loss of TGF-βRII induces invasive tissue growth. Science Signaling, 2022; 15 (761) DOI: 10.1126/scisignal.abo2206

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