Mesmo sendo menos comum, compreender o câncer de pele em pessoas negras é crucial, já que a situação pode se apresentar de forma mais grave.
Durante os últimos anos, vemos percebendo o aumento da incidência de câncer de pele. O Instituto Nacional do Câncer registra cerca de 180 mil novos casos por ano de câncer de pele no Brasil. A maioria tem relação direta com a exposição a raios solares danosos – o que num país tropical, litorâneo e agrícola como o Brasil ganha proporções gigantescas.
Um grande erro da população, é achar que o câncer de pele afeta apenas pessoas de pele clara. Peles negras também são afetadas e o dano pode ser maior. Por isso hoje, quero conversar com vocês sobre a importância do autocuidado que as pessoas de pele negra devem ter.
Fatores de risco para o câncer em peles negras
Diferentemente das peles claras, a radiação ultravioleta (UV) não é considerada um fator de risco importante para melanoma em peles negras. Está relacionado a maior pigmentação da pele. Peles negras possuem mais melanina e melanossomas, sendo considerados protetores contra a penetração dos raios UV na epiderme e sua ação no DNA.
Os fatores de risco relatados nesta população incluem albinismo, história de radioterapia, imunossupressão, cicatrizes de queimadura, nevo preexistente (especialmente acral) e nevo congênito.
Quais os subtipos mais comuns?
Pesquisas com pessoas negras descobriram que mais de 90% dos melanomas nesta população são subtipos de melanoma acral lentiginoso, mucoso e ocular, sendo o melanoma lentiginoso acral o mais comum . Os melanomas lentiginosos palmoplantares acrais em peles negras geralmente se apresentam como manchas pigmentadas irregulares marrom-escuras ou preto-azuladas ou uma cor rosa-avermelhada e essas lesões geralmente progridem para grandes nódulos.
Esses subtipos de melanoma estão predominantemente em locais protegidos do sol, reforçando o fato de que os raios UV provavelmente têm menos ou nenhum papel na patogênese do melanoma em indivíduos negros.
Ainda há uma grande dificuldade para diagnosticar o câncer de pele em pessoas de pele negra. À medida que trabalhamos para compreender melhor as manifestações do câncer de pele em diferentes tipos de pele, é crucial reconhecermos a variabilidade na apresentação entre pacientes com pele de cor e reconhecermos as disparidades no diagnóstico e tratamento nesta população.
Fatores sociais contribuem muito para essa disparidade porque estudos anteriores mostraram que pacientes de minorias relatam ter realizado significativamente menos exames de pele de corpo inteiro com menor capacidade de reconhecer lesões preocupantes no autoexame. A falta de educação para a saúde também contribui para esta desigualdade porque muitos pacientes de pele negra consideram o risco de câncer de pele mínimo, têm pouca consciência das características típicas e recebem educação inadequada sobre segurança UV.
Autocuidado e prevenção.
Por isso meu papel aqui é informá-los, trazer o conhecimento à tona. Apesar dos riscos menores, o câncer de pele afeta pessoas de pele negra e por dificuldades no diagnóstico ele pode ser mais letal. Por isso é importante se cuidar.
Aplique protetor solar, mantenha a pele bem hidratada e faça autoexames regularmente. Preste especial atenção se houver histórico familiar de câncer de pele e, em caso de dúvida, consulte um dermatologista imediatamente.
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326
Fonte: Munjal A, Ferguson N. Skin Cancer in Skin of Color. Dermatol Clin. 2023 Jul;41(3):481-489. doi: 10.1016/j.det.2023.02.013. Epub 2023 Apr 7. PMID: 37236716.

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