Pesquisas mostram que a exposição da pele aos resíduos do fumo, tanto do cigarro convencional como do eletrônico, podem causar danos à pele, inclusive o câncer.
Segundo dados publicados em 2021, cerca de 10% da população brasileira faz uso de cigarros. Sabemos que esse hábito causa grandes malefícios para a saúde, principalmente problemas respiratórios, incluindo o câncer de pulmão. Mas você sabia que a exposição ao cigarro também pode fazer mal para a sua pele?
Hoje quero conversar com vocês sobre que cuidar da nossa pele vai muito além do uso de protetor solar, a exposição a algumas substâncias pode causar danos graves, incluindo a exposição passiva.
Exposição passiva ao cigarro.
Muitas vezes achamos que a exposição passiva a determinadas situações, não são capazes de nos causar danos. Mas, mesmo que você não fume você pode estar sujeito aos malefícios do cigarro.
O “Thirdhand smoke” (THS) é considerado uma nova forma de exposição passiva ao cigarro. Ela consiste em resíduos de nicotina e outras substâncias encontradas no cigarro que permanecem no ambiente após alguém fumar. Essas substâncias ficam em móveis, paredes, objetos e utensílios, por um longo período, representando um risco à saúde de qualquer pessoa que entrar em contato.
Dessa forma, o risco ao fumo passivo não termina quando cigarro se apagar, mas pode persistir por meses no ambiente que aquela pessoa frequenta. Assim, alguns componentes carcinogênicos são preferencialmente formados na fumaça que se acumula no ambiente, representando um risco para a saúde dos fumantes passivos.
Quais danos na pele podem ser causados por essa exposição passiva?
Dois estudos publicados em 2022, mostraram os danos que o THS pode causar para a saúde da pele.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que a exposição aguda da pele ao THS é capaz de ativar mecanismos inflamatórios que aumentam os níveis de biomarcadores associados a inícios de doenças de pele como a psoríase, dermatite de contato e até mesmo o câncer.
Outra pesquisa, também conduzida na Universidade da Califórnia, mostrou que além da fumaça do cigarro convencional, o derramamento de líquidos do cigarro eletrônico também está associado a danos à pele. Os pesquisadores mostraram que a exposição à nicotina prejudica a cicatrização de feridas, aumenta a suscetibilidade a infecções de pele devido à diminuição da resposta imunológica e causar estresse oxidativo nas células da pele.
Os pesquisadores afirmam que ainda é necessário mais conhecimento sobre os efeitos nocivos da exposição passiva ao cigarro, principalmente o eletrônico. É aconselhado que consumidores e vendedores de cigarros eletrônicos utilizem equipamentos de proteção adequados e limpem adequadamente as áreas contaminadas.
É crucial que a população compreenda os malefícios que a exposição passiva ao cigarro representa para a saúde, estendendo-se além dos efeitos respiratórios bem documentados. Os danos potenciais à pele são evidentes, como demonstrado neste estudos recentes. É fundamental promover a conscientização sobre esses perigos e adotar medidas de proteção, tanto para indivíduos que fumam quanto para aqueles expostos involuntariamente.
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326
Fonte:
Instituto Nacional do Câncer. Prevalência do Tabagismo. Dísponivel em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/prevalencia-do-tabagismo#:~:text=Segundo%20dados%20do%20Vigitel%202021,6%2C7%25%20entre%20mulheres. Acesso em 12 de setembro de 2023.
University of California – Riverside. “Thirdhand smoke can trigger skin diseases, study finds.” ScienceDaily. ScienceDaily, 11 October 2022. <www.sciencedaily.com/releases/2022/10/221011161308.htm>.
University of California – Riverside. “Human skin can be damaged by exposure to third-hand smoke and electronic cigarette spills.” ScienceDaily. ScienceDaily, 8 June 2022. <www.sciencedaily.com/releases/2022/06/220608091413.htm>.

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