Queridos pacientes e leitores (as), hoje quero falar diretamente e de forma especial com as mães e mulheres que pretendem engravidar: o melanoma pode afetar mulheres grávidas.
Estar grávida não aumenta o risco de desenvolver melanoma, entretanto a idade entre os 20 e 40 anos, considerada os anos férteis das mulheres, é o período que há maior predominância de desenvolvimento de melanoma. E durante a gravidez, o melanoma pode afetar não só a mãe, como o bebê.
“Estar grávida é mais um motivo para se cuidar, procurar um médico e fazer check-ups.”
Gravidez não é motivo para adiar a consulta com o especialista
Sempre falo com vocês, que quanto mais precoce o diagnóstico melhor o tratamento. Dessa forma, mesmo estando grávida, é extremamente importante que a mulher procure um dermatologista, em casos de suspeita, para que se realize a biópsia.
A biópsia é permitida durante a gravidez. O exame é feito através da aplicação local de anestésico, onde ocorre a retirada do melanoma. Em casos onde o melanoma se encontra em estágio avançado, o médico explicará qual o melhor caminho a ser tomado, visto que alguns exames podem causar dano ao bebê e dificulta a escolha do tratamento.
O bebê pode nascer com melanoma?
Uma das maiores preocupações das mães é com a saúde de seus filhos. E nesses casos ela se torna ainda mais relevante. O melanoma quando descoberto em estágio avançado, pode se espalhar por todo o organismo da mãe e atingir outros órgãos. A placenta é um órgão que realiza a comunicação entre a mãe e o feto, permitindo a troca de nutrientes e gases, e o melanoma pode atravessar a placenta e atingir o feto. Apesar de ser raro isso acontecer, é sempre importante que o bebê ao nascer seja avaliado e passe pelos cuidados de especialistas.
“Mas Dr, se eu fiz ou estou em tratamento contra o melanoma, posso amamentar?”
Essa é uma pergunta muito recorrente e devemos lembrar que a amamentação é crucial para o desenvolvimento da criança. É através dela que o recém-nascido recebe todos os nutrientes e anticorpos necessários. Entretanto, é importante lembrarmos, que o uso de substâncias como os quimioterápicos também podem ser transmitidos para o bebê através da amamentação.
Nestes casos, se a mãe está em processo de tratamento com o uso de quimioterápicos, a amamentação deve ser interrompida sob supervisão médica, a fim de não causar danos à saúde do bebê. Mas se o melanoma já foi tratado e não há o uso de medicamentos, a amamentação pode ocorrer normalmente.
O acompanhamento médico continua sendo essencial após o tratamento.
Sempre é bom relembrarmos, que todos os tipos de cânceres, e mais especificamente o melanoma, podem retornar após o tratamento. Nunca deixe de realizar o acompanhamento médico, lembrando que o diagnóstico no tempo certo é muito importante para aumentarmos as chances de cura.
Mulher, esteja sempre atenta aos sinais de seu corpo e procure um médico sempre que necessário.
Em casos de dúvidas, entre em contato comigo. Compartilhe este texto com outras mulheres mães e futuras mamães!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326
Fonte: Melanoma during pregnancy: what it means for you and your baby. American Academy of Dermatology Association.

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