Olá para você que me acompanha! Hoje, eu vou abordar um assunto delicado e, ao mesmo tempo bastante necessário para a Oncologia: a importância para a saúde de parar de fumar mesmo após o surgimento do câncer. Nós, profissionais de saúde, entendemos que abandonar um vício é difícil para a maioria das pessoas. Por isso, a nossa função é ajudar os pacientes a superar esse hábito com  informações de qualidade e acompanhamento.

Devo parar de fumar após o diagnóstico de câncer?

A resposta é: SIM. Remover esse hábito danoso da sua vida é uma das melhores formas para obter sucesso durante o tratamento de câncer. Pode parecer que agora “é tarde demais” ou que “o estrago já foi feito”. Mas, a realidade é que cuidar da própria saúde não tem hora nem lugar. Além disso, um tumor pode surgir por diversos outros fatores além do cigarro. Lembre-se: o câncer pode acometer qualquer pessoa. Agora, o nosso objetivo principal é tratá-lo pensando no seu bem-estar.

Os benefícios de parar de fumar

Parar de fumar não é fácil. Estamos falando de uma jornada. Por isso, vou mostrar alguns benefícios de parar de fumar para te incentivar a deixar esse hábito:

  • A qualidade de vida melhora.
  • Você vai ter mais expectativa de vida.
  • A chance de obter doenças cardiovasculares e pulmonares é reduzida
  • O metabolismo e a circulação do corpo ficam trabalham melhor. 
  • Você terá mais disposição para realizar as atividades diárias e exercícios físicos. 
  • Respirar vai ser mais fácil. 

Os riscos de fumar durante o tratamento de câncer

  • Os efeitos colaterais das cirurgias podem piorar. Isso afeta a saúde principalmente do coração e dos pulmões, portanto, a recuperação será mais lenta.
  • Piora os efeitos colaterais da quimioterapia  infecção, fadiga, problemas cardíacos, perda de peso) e da radioterapia (feridas na boca, perda de paladar, perda da qualidade da voz e problemas nos ossos). 
  • O câncer tem mais chances de aparecer mesmo após o tratamento.

É necessário falar sobre o vício para o oncologista?

Há inúmeros motivos que podem desmotivar um paciente a ser sincero sobre os próprios hábitos com o médico:

  • Receio que o profissional faça julgamentos ou coloque a culpa do diagnóstico no paciente.
  • Sentimento que irá receber menos apoio durante o tratamento de câncer por fumar.
  • Deixar de fumar após o diagnóstico seria ‘inútil’.
  • Medo de tentar parar de fumar novamente e não conseguir. 
  • O tabaco seria uma válvula de alívio para lidar com as consequências e estresse de conviver com o câncer.

Todos esses motivos são compreensíveis. Mas, é importante lembrar que a função de um profissional de saúde é acolher, conferir qualidade de vida, aconselhar e nunca julgar ou menosprezar o paciente.  A Medicina entende que a nicotina – uma substância presente no cigarro – é altamente viciante. Dessa forma, cada indivíduo tem os seus motivos para utilizá-la e também cada um tem um tempo próprio para abdicar do hábito. 

Se você ainda tem dificuldade para falar com o seu médico sobre o uso do cigarro, o que eu posso aconselhar é: gradualmente, construa uma relação de confiança com o profissional. É de suma importância contar ao oncologista sobre essa parte da vida para nós podermos lidar com o vício e planejar estratégias para redução de danos. Como mostramos no tópico anterior, o ato de fumar influencia bastante no tratamento de câncer.

Como parar de fumar?

  1. Escolha uma data para abandonar o cigarro de uma vez por todas. O tempo não importa: daqui a 1 mês, 6 meses ou 1 ano. É importante ter esse dia em mente para que você vai se acostumando com a ideia de viver sem o vício e terá tempo para se planejar.
  2. Use aplicativos ou faça anotações para entender a quantidade de cigarros que você consome diariamente. Isso é importante pois serve de parâmetro para você e para os médicos entenderem qual o nível do vício você está.
  3. Busque apoio! Durante a superação de uma dificuldade, você vai precisar de suporte. Religião, amigos, família: é possível encontrar conforto e incentivo em vários lugares.

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

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