Quando falamos em cuidados paliativos, o coração das famílias e pacientes pesa. Isso se deve ao tabu que ainda ronda este tema, fazendo acreditar (de forma errada) que os cuidados paliativos representam sofrimento, despedida e morte.

Pelo contrário, os cuidados paliativos representam VIDA. Sim, é verdade que encaminhamos para esse tipo de abordagem os pacientes que têm doenças graves, mas a definição de cuidados paliativos é, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), “cuidados de saúde ativos e integrais prestados à pessoa com doença grave, progressiva e que ameaça a continuidade de sua vida”.

Quando nos deparamos com nossa finitude, uma série de sentimentos vêm à tona: medo, angústia, sensação de não ter feito tudo que queria ou era necessário… 

Os cuidados paliativos vêm para dar ao paciente respeito, dignidade, conforto, cuidado físico, psíquico, emocional e até espiritual e aquela vontade de estar junto de quem se ama – inclusive, um dos objetivos deste setor é dar apoio à família também. 

Paliativos é igual a ficar sem assistência?

Quando já não há esperança de cura, o paciente é encaminhado para os cuidados paliativos, o que não quer dizer que ele estará desamparado, aliás, muito pelo contrário! O objetivo da equipe multiprofissional é oferecer o máximo de conforto possível. O time é composto por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos e farmacêuticos.

O trabalho de todas essas pessoas não é garantir apenas o conforto ao paciente, mas também à família, que está passando por um momento delicado ao vivenciar a perda de alguém querido. 

Mas como isso se encaixa na oncologia?

Primeiramente, precisamos entender que os cuidados paliativos têm o objetivo de dar qualidade de vida. Eles têm o objetivo de aliviar o sofrimento, identificar precocemente situações que precisam de atenção e tratar a dor e outros desconfortos físicos, sociais, psicológicos e espirituais.

Atualmente, quando falamos em câncer, não existe mais sentença de morte. Conseguimos tratar e garantir sobrevida e uma excelente qualidade de vida a pacientes com tumores em locais complicados, como pulmão, coração e sistema nervoso central.

Mas algumas situações são mesmo mais delicadas e com prognóstico pior, principalmente quando há metástase, ou seja, as células cancerígenas saem do local onde se originaram e atingem outros órgãos.

Devemos perder as esperanças?

Uma das obrigações dos profissionais de saúde, e aqui eu posso falar daqueles que trabalham com câncer, que é uma doença que ainda assusta, é respeitar as crenças das famílias. Por isso, quando um paciente é encaminhado para os cuidados paliativos, nós explicamos a gravidade do quadro, mas cada família é livre para tomar suas próprias decisões. 

Quando encaminhar o paciente?

O próprio Instituto Nacional do Câncer (Inca) preconiza que o paliativo pode ter o objetivo de manejar os sintomas de difícil controle e melhorar as condições clínicas do paciente, mas também pode ter a propensão de trazer a cura da doença. Além disso, deve ser iniciado precocemente sempre que possível.

Existem diversos critérios para determinar o momento certo de encaminhar o paciente para os cuidados paliativos, de modo que isso não aconteça de forma precoce ou tardia. Eles incluem, por exemplo, os sintomas físicos e emocionais, o sofrimento do indivíduo, a presença de determinados tipos de metástases e o diagnóstico. 

Se a doença avançar, o cuidado paliativo deve ser ampliado, cuidando dos aspectos psicológicos, sociais e espirituais mesmo que o objetivo da cura ainda permaneça. Na fase terminal, o paliativo é a prioridade, visando garantir qualidade de vida, conforto e dignidade.

Eu sei que este é um tema muito delicado, por isso estou à disposição para conversarmos mais. Acione minha equipe por meio de um de nossos contatos. 

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

CRM MS 5550 | RQE 4326

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