Olá, caros(as) leitores(as)! Estamos em dezembro, mês da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, por isso escrevi mais um artigo atualizado a despeito da temática, contudo abordando um aspecto científico pouco explorado acerca do melanoma: os baixos níveis de vitamina D.

O MELANOMA

Segundo o INCA, o câncer de pele é estatisticamente o câncer mais frequente entre a população brasileira. Esse dado se mostra bastante coerente quanto ao contexto geográfico do país, visto que o Brasil é um país tropical abundante em incidência solar.

Esse câncer corresponde a 30% de todos os casos de cânceres malignos registrados, entretanto, apesar da alta incidência, apenas 3% correspondem a forma grave dessa doença — o melanoma.

OS SINAIS E SINTOMAS

O melanoma se caracteriza pelo surgimento de uma pinta escura de bordas irregulares, descamação e coceira na pele normal ou em uma lesão pigmentada. Ao surgir desta última, a lesão pigmentada pré-existente apresenta aumento no tamanho, alteração em sua coloração e aparecimento de bordas irregulares. Caso você tenha interesse em se aprofundar um pouco mais no assunto, recomendo o vídeo em que explico tudo sobre essa doença.

Caso você perceba alguma dessas alterações em qualquer local da sua pele, procure a ajuda de um profissional dermatologista o mais rápido possível.

OS FATORES DE RISCO

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os fatores que aumentam o risco de aparacimento desse câncer são:

  • Exposição prolongada e repetida a radiação ultravioleta;
  • Indivíduos com pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino estão no grupo de risco, contudo qualquer pessoa tem que se prevenir;
  • Ter história familiar ou pessoal de câncer de pele.

OS NÍVEIS DE VITAMINA D

A incidência solar é fator crucial para o risco de melanoma, entretanto ela também é importante para a síntese de vitamina D. Esse carácter ambíguo da luz do sol pode nos despertar a curiosidade em saber se em casos de melanomas, a concentração dessa substância possa ser menor.

Uma pesquisa observacional italiana acompanhou pacientes que receberam um diagnóstico de melanoma cutâneo na cidade de Varese de 2016 a 2019. Os pacientes escolhidos para realizar essa análise foram selecionados com base na possibilidade de obter amostras dos níveis séricos de vitamina D no diagnóstico de melanoma nesses indivíduos. Os pacientes foram operados no centro de Dermatologia e Cirurgia Plástica do Hospital Circolo e se encaminharam ao departamento de Dermatologia para acompanhamento.

A partir da comparação entre a população com melanoma e o grupo de controle, foi identificado um nível de vitamina D  sanguínea significativamente mais baixo no primeiro grupo. Este resultado concorda com outros estudos que reconhecem um estado de deficiência de vitamina D como um possível fator predisponente para o desenvolvimento do melanoma. A hipótese é apoiada pelo déficit do conhecido efeito anti-proliferativo e antiangiogênico atribuível ao calcitriol, medicamento que teria uma ação antitumoral. 

É importante salientar que, sendo um estudo transversal, poder-se-ia considerar a prevalência e a associação desta vitamina com a neoplasia, sem poder verificar a existência real de uma relação causa-efeito entre os dois elementos. Os níveis ótimos de vitamina D são um espelho de um estilo de vida saudável (atividade física regular, dieta adequada, IMC — índice de massa corpórea — na norma), portanto, poderiam simplesmente representar um marcador substituto para outros fatores protetores contra o desenvolvimento de neoplasias malignas. Os pesquisadores dizem que pode ser interessante realizar novos estudos de caso-controle futuramente, projetados para uma população maior, visando analisar outros riscos para melanoma e sua relação com a vitamina D. Desta forma, seria possível desfazer com precisão a relação entre a vitamina e o risco de câncer. Outra perspectiva possível seria investigar se, através da suplementação adequada, a manutenção dos valores desejáveis de vitamina D pode reduzir o risco de recaídas em pacientes com melanoma.

Em caso de mais dúvidas sobre o assunto, entre em contato comigo que estarei disposto a saná-las!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326

Olá, você precisa de ajuda?