Olá, queridos(as) leitores! Estamos no mês em que se inicia o verão e mais uma campanha Dezembro Laranja. Por isso, decidi escrever sobre o melanoma, que, embora seja um câncer menos frequente quando comparado ao câncer de pele não melanoma, é mais agressivo, tem maior poder de metástase e é responsável pela vasta maioria dos óbitos causados por tumores cutâneos.
MELANOMA
O câncer de pele melanoma tem origem nos melanócitos (células produtoras da substância que determina a cor da pele) e é mais frequente em indivíduos adultos brancos. O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Nos indivíduos de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.
Apesar de o câncer de pele ser o mais frequente no Brasil e corresponda a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. É o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do câncer para outros órgãos).
O prognóstico dessa categoria de câncer pode ser considerado bom se detectado em sua fase inicial. Nos últimos anos, houve grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor e à introdução dos novos medicamentos. Caso você queira se informar mais a respeito dos cânceres de pele, assista ao vídeo em que explico tudo sobre esse assunto.
SINAIS E SINTOMAS
O melanoma pode surgir a partir da pele normal ou de uma lesão pigmentada. A manifestação da doença na pele normal se dá após o aparecimento de uma pinta (nevo) escura de bordas irregulares acompanhada de coceira e descamação.
Em casos de uma lesão pigmentada pré-existente ocorre aumento no tamanho, alteração na coloração e na forma da lesão, que começa abruptamente a apresentar bordas irregulares.
DIAGNÓSTICO
A exposição elevada aos raios ultravioleta é a principal causa do melanoma, e quem possui pele clara e/ou com muitas manchas está mais vulnerável à doença. O excesso de raios ultravioletas pode levar à mutação do DNA dos melanócitos.
O diagnóstico é normalmente efetuado pelo dermatologista, através de exame clínico, e se não for diagnosticado precocemente, o melanoma pode avançar para os nódulos linfáticos e outros órgãos do corpo, como fígado e cérebro. Por isso, quanto mais cedo for diagnosticado, maior a chance de recuperação. Uma opção de diagnóstico é a dermatoscopia digital. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui para ler meu texto completo sobre.
Em fase inicial, o melanoma deve ser tratado cirurgicamente, remoção da lesão e, depois disso, com uma segunda cirurgia para remoção das margens em volta da lesão para garantir que o tumor não volte naquele local. De todos os tratamentos, é considerado o mais simples e menos agressivo.
OPÇÕES DE TRATAMENTO DURANTE A GRAVIDEZ
Cirurgia
Os procedimentos cirúrgicos que requerem anestesia geral podem ser realizados com segurança a qualquer momento durante a gravidez, mas há um risco ligeiramente maior de aborto espontâneo no primeiro trimestre, portanto devem ser adiados para o segundo trimestre sempre que possível. Tais procedimentos devem ser discutidos em um ambiente multidisciplinar, e envolver a contribuição do anestesista e obstetra.
Radioterapia
A radiação pode causar malformação fetal, morte fetal, retardo mental e pode aumentar o risco de câncer infantil e leucemia. Estes efeitos são dependentes da dose e também dependem da idade do feto e da extensão do campo da radioterapia. A dose limite associada às malformações fetais é de 0,1-0,2 Gy, que geralmente não é alcançada em tratamentos curativos, desde que o tumor não esteja próximo ao útero e seja usada uma proteção de chumbo. A radioterapia deve ser evitada durante a gravidez, a menos que haja uma necessidade clínica urgente ou que o tumor esteja localizado longe do útero e seja usada blindagem.
Terapia sistêmica
Não há evidências sobre a segurança de terapias direcionadas, tais como inibidores de BRAF (gene humano) e inibidores de MEK (molécula presente nas células) ou imunoterapias como inibidores de Ipilimumab ou de PD-1 (proteína de morte celular programada 1) durante a gravidez. Portanto, o uso de tais agentes deve ser evitado durante a gravidez.
Em caso de mais dúvidas e informações sobre esse tratamento, entre em contato comigo que estarei disposto a esclarecê-las!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
CRM MS 5550 | RQE 4326

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