Olá, queridos(as) leitores! Continuando meus artigos relacionados à campanha Novembro Azul, prol aos homens, para conscientização a respeito de doenças masculinas, hoje comento a respeito de uma associação entre dois cânceres com incidências elevadas em nosso país: câncer de pele melanoma e câncer de próstata.

 

O CÂNCER DE PRÓSTATA

 

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros (ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o 2.º tipo mais comum. 

 

A próstata é uma glândula que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

 

Esse câncer é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência brasileira pode ser parcialmente justificado pela evolução dos exames de diagnóstico, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

 

O CÂNCER DE PELE MELANOMA

 

O câncer de pele melanoma tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e é mais frequente em adultos brancos, segundo o INCA. A doença pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas (membrana mucosa de revestimento interno das cavidades do corpo com contato com o meio externo), na forma de manchas, pintas ou sinais. Nos indivíduos de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.

 

Embora o câncer de pele seja o mais frequente e corresponda a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. É o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do câncer para outros órgãos).

 

O prognóstico dessa doença pode ser considerado bom se detectado em sua fase inicial. Nos últimos anos, houve grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor e à introdução dos novos medicamentos imunoterápicos.

 

NOVOS ESTUDOS ASSOCIAM AMBAS DOENÇAS

 

Um estudo publicado na revista Nature mostrou que os homens na Austrália que foram previamente diagnosticados com câncer de pele melanoma tinham um risco 25% maior de diagnóstico posterior de câncer de próstata, em comparação com homens sem um diagnóstico anterior de melanoma. Estes resultados são consistentes tanto na direção como na magnitude com os diagnósticos internacionais anteriores, relatando um risco de câncer de próstata cerca de 26% maior. O risco de câncer de próstata foi significativamente aumentado em homens com disseminação localizada de câncer de pele, mas não em homens com doença não localizada, e que a incidência de câncer de próstata diminuiu com o aumento da espessura do melanoma. O estudo também mostrou que o risco de melanoma era maior em homens nascidos na Austrália, e no primeiro ano de diagnóstico de câncer melanoma. Estes resultados elevam o potencial para o diagnóstico de melanoma para ser um preditor de risco de câncer de próstata subsequente.

 

O estudo foi de coorte retrospectivo da população da Nova Gales do Sul (NGS), Austrália, com uma população estimada em 7,2 milhões de pessoas, sendo o estado mais populoso da Austrália, contendo pouco menos de um terço (32%) da população australiana. Os dados de registro de unidade para o período 1972 – 2008 foram obtidos do New South Wales Cancer Registry (NSWCR). A notificação do diagnóstico de câncer ao registro é um requisito legal naquele estado. O NSWCR mantém um registro de todos os casos de câncer diagnosticados em residentes do estado desde 1972. O NSWCR tem altos padrões de integridade e qualidade de dados, e os dados são aceitos pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer para publicação em Incidência de Câncer em Cinco Continentes. Os participantes elegíveis foram homens residentes de Nova Gales do Sul diagnosticados com melanoma cutâneo invasivo (ICD-O3 C440-C449) ou câncer de próstata (ICD-C61), entre janeiro de 1972 e dezembro de 2008.

 

Em caso de mais dúvidas sobre o assunto, entre em contato comigo que estarei disposto a saná-las!

 

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

CRM MS 5550 | RQE 4326

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