Queridos leitores do meu blog, no artigo de hoje explicarei um pouco sobre uma nova opção identificada para o tratamento do câncer de mama em fase inicial: o tratamento com radionuclídeos. Este novo procedimento restrito a determinados casos absolutamente não faz parte da rotina médica atual, mas está em fase de estudos em modelos animais. Certifiquem-se de lerem até o final para entender um pouco sobre a doença e como esse novo tratamento pode ser promissor.

CÂNCER DE MAMA

O câncer de mama é uma doença causada pela proliferação desordenada de células anormais da mama, que resulta em um tumor com potencial para invadir outros órgãos. Caso você queira se informar um pouco mais sobre a anatomia e história natural desse câncer, recomendo que assista ao meu vídeo no YouTube.

Esse é o principal tipo de câncer que acomete as mulheres brasileiras, sendo que foram estimados 66.280 novos casos para este ano de 2021, segundo as estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

SINAIS E SINTOMAS

Segundo o INCA, o câncer de mama pode ser percebido em sua fase inicial, geralmente, através dos seguintes sinais e sintomas:

  • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pelo próprio indivíduo;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
  • Alterações no bico do peito (mamilo);
  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço;
  • Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos.

https://www.youtube.com/watch?v=ZV8UAB5rQPc

Diante a presença desses sinais e sintomas, é de suma importância que o paciente procure o atendimento de um profissional médico especializado para serem investigados e avaliados quanto ao risco de se tratarem de um câncer.

DIAGNÓSTICO

A qualquer suspeita de nódulo ou qualquer outro sinal e sintoma comentados previamente nas mamas, deve ser feita uma investigação para confirmação do câncer de mama. Além do exame clínico das mamas, exames de imagem podem ser recomendados, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. O diagnóstico só é feito, porém, por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita através de punções (extração por agulha) ou de uma pequena cirurgia. O material retirado é analisado em laboratório pelo patologista para a definição do diagnóstico.

TRATAMENTOS

Diversos avanços ocorreram e vêm ocorrendo no tratamento oncológico de mama nas últimas décadas. Há hoje mais conhecimento sobre as variadas formas de apresentação da doença e diversos tratamentos disponíveis.

O tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra (estadiamento) e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia alvo), entretanto neste artigo comentarei sobre uma nova opção terapêutica para o  câncer de mama em fase inicial.

Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o tratamento prolonga a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

TRATAMENTO COM RADIONUCLÍDEOS 

A formação de metástases envolve o desprendimento de células tumorais circulantes do tumor primário e a obtenção de acesso ao sistema circulatório. Embora a maioria das células tumorais circulantes sejam rapidamente eliminadas, um pequeno número sobrevive e dissemina-se para vários pontos. Estas células tumorais disseminadas  podem sustentar a proliferação ativa e desenvolver-se em micrometástases ou podem permanecer adormecidas durante anos antes de se tornarem ativas. 

A terapia com radionuclídeos recentemente tem-se revelado bem sucedida em atrasar o crescimento de células tumorais disseminadas em pequenos roedores, sugerindo a sua utilização como uma terapia adjuvante potencial para retardar a proliferação de tumores. Como relatado na edição de janeiro do Journal of Nuclear Medicine, o radiofármaco emissor de partículas radioativas alfa 223RaCl₂ não só tem impacto nas células diretamente atingidas pela radiação, como também tem efeitos significativos nas células fora do campo da radiação (ou seja, células espectrais).

Estudos recentes descobriram que as células tumorais disseminadas podem ocorrer cedo no desenvolvimento do câncer, em oposição ao conceito de que a metástase tumoral ocorre apenas no câncer em fase tardia. Essa disseminação é um fator de risco significativo na redução da esperança de vida dos pacientes. Por conseguinte, um objetivo fundamental das terapias de radionuclídeo do câncer é desenvolver estratégias para esterilizar as células disseminadas antes que estas se tornem micrometástases nos ossos.

Em caso de mais dúvidas e informações sobre esse tratamento, entre em contato comigo que estarei disposto a esclarecê-las!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

CRM MS 5550 | RQE 4326

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