Dia 26 de abril, foi o Dia Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Hipertensão Arterial, trago um assunto de extrema importância e que deve ser enfatizado pelos médicos nas consultas com seus pacientes oncológicos: o aumento da pressão arterial causado durante o tratamento do câncer. A hipertensão é a comorbidade mais encontrada em pacientes com tumores malignos, principalmente para os que estão em processos quimioterápicos com agentes inibidores da angiogênese.
Ainda, deve ser levado em conta que a hipertensão é um fator de risco para a cardiotoxicidade (danos ao coração) produzidos pela quimioterapia, afetando todo o organismo. Dessa forma, o descontrole da pressão arterial pode levar à interrupção forçada do tratamento para o câncer, prejudicando o prognóstico do paciente.
AUMENTO DA PRESSÃO DURANTE A QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia pode ser realizada com diversos tipos de medicamentos, conhecidos como agentes quimioterápicos. Entre eles, se encontram os inibidores da angiogênese, que podem ser divididos em dois principais grupos: os anticorpos monoclonais inibidores das vias de sinalização vascular, como o bevacizumab (anti-VEGF), e as moléculas inibidoras de tirosinaquinase, como os sunitinib e sorafenibe.¹ Esses medicamentos impedem a formação de novos vasos sanguíneos, o que reduz os níveis de óxido nítrico, substância responsável pela dilatação desses vasos, contribuindo para a regulação da pressão arterial. Com menos óxido nítrico presente, o mecanismo de regulação da pressão é prejudicado.²
Por esse motivo, esses inibidores da angiogênese são os agentes quimioterápicos mais associados ao aumento da pressão arterial, seguidos por agentes alquilantes e imunossupressores comumente utilizados após o transplante de células-tronco.¹ Outras medicações que reconhecidamente influenciam na pressão arterial são a calcineurina, os esteróides e a cirurgia ou radioterapia que envolva a região da cabeça ou pescoço.
O QUE É RECOMENDADO PARA MÉDICOS E PACIENTES?
Em primeiro lugar, preciso enfatizar que o controle da hipertensão arterial durante o tratamento de tumores malignos não altera a resposta do paciente à terapia oncológica. Na verdade, o tratamento e controle adequado dessa condição é primordial para a continuidade da quimioterapia. Tendo isso em vista, precisamos nos atentar a mais alguns fatos:
- É preciso que os médicos e cirurgiões oncológicos estejam preparados para identificar e tratar a hipertensão arterial em seus pacientes antes de iniciar o tratamento com medicamentos inibidores da angiogênese. E caso encontrem dificuldades, devem encaminhar os pacientes para médicos especialistas em hipertensão;
- Durante todo o período de tratamento, a pressão arterial deve ser monitorada ativamente, principalmente na primeira etapa da terapia;
- O controle da pressão arterial é imprescindível para minimizar os riscos de danos aos órgãos alvo da quimioterapia;
- Durante a escolha de um medicamento anti-hipertensivo, o médico deve levar em consideração o mecanismo de ação, se há possibilidade de interação com os medicamentos quimioterápicos, causando toxicidade, e outras condições de saúde e comorbidades apresentadas pelo paciente.
Dessa forma, cabe ao paciente procurar atendimento com profissionais de saúde que tenham uma visão multidisciplinar do seu caso oncológico e busquem o correto manejo da hipertensão arterial.
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
Fonte:
¹ Mouhayar, E., & Salahudeen, A. (2011). Hypertension in cancer patients. Texas Heart Institute journal, 38(3), 263–265.
² Cancer treatment Centers of America, How to manage your blood pressure during cancer treatment, 2020.

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