A intervenção cirúrgica segue sendo o tratamento padrão-ouro para o Câncer de Pele não-melanoma, no entanto existem outras modalidades que vêm sendo estudadas e utilizadas.
O Câncer de Pele não melanoma é o mais comum no Brasil, entre todos os outros tipos de tumores malignos no país. Ele corresponde a cerca de 30% dos casos e se diagnosticado de forma precoce, as chances de cura são grandes. Os mais comuns entre eles são o Carcinoma basocelular (CBC) e o Carcinoma espinocelular (CEC). Apesar de possuírem baixas taxas de mortalidade, se não forem tratados adequadamente podem deixar grandes sequelas na pele.²
Uma das minhas especialidades, como cirurgião oncológico, é o tratamento de cunho cirúrgico para o Câncer de Pele não melanoma, considerado como o padrão-ouro por especialistas do mundo todo. No entanto, trago hoje um novo olhar sobre o assunto: a seleção do tratamento adequado para o Câncer de Pele não melanoma deve considerar, além das taxas de cura, a preservação da função do membro afetado, os potenciais efeitos colaterais do tratamento, o custo e a preferência do paciente.
Diversas outras abordagens não cirúrgicas têm sido estudadas e utilizadas para o tratamento do Câncer de Pele não melanoma, levando em consideração os fatos anteriores. Entre elas, encontram-se a crioterapia, o uso de medicamentos tópicos, a terapia fotodinâmica, a radioterapia, e os inibidores da via Hedgehog.¹
CRIOTERAPIA: também conhecida como criocirurgia, é uma técnica que utiliza temperaturas abaixo de zero para destruir as células tumorais. O processo envolve o congelamento rápido e o descongelamento lento da lesão, atingindo temperaturas de até -60ºC. A margem de segurança adequada se estende de 3 a 10mm além das bordas do tumor. Diversos estudos dos anos 80 avaliaram a eficácia da crioterapia e encontraram taxas de cura acima de 94% dos casos. No entanto, a crioterapia não é indicada em todos os casos: o ideal é que seja utilizada em lesões de baixo risco (menores que 20 mm e com bordas bem definidas).¹
MEDICAMENTOS TÓPICOS: medicamentos de uso tópico são aqueles destinados a serem aplicados diretamente em um determinado local, geralmente na pele ou na mucosa, como por exemplo, as pomadas. Os medicamentos de uso tópico são frequentemente usados para o tratamento do Câncer de Pele não melanoma, no entanto, existem limitações. Sua ação está restrita a lesões superficiais. Os mais comuns são o imiquimode e o 5-fluorouracil.¹
TERAPIA FOTODINÂMICA: é uma terapia à base de luz utilizada originalmente para o tratamento de ceratoses actínicas, mas que também oferece benefícios durante o tratamento do Câncer de Pele não melanoma, principalmente Carcinoma basocelular (CBC) superficial. O procedimento é composto por duas etapas, onde uma substância fotossensibilizadora é aplicada e após, ocorre a ativação por uma fonte de luz, que leva à morte das células tumorais. As taxas de cura da terapia fotodinâmica (76%) são menores quando comparadas a intervenção cirúrgica (96%), no entanto, os resultados estéticos são bem melhores com a terapia fotodinâmica (33% x 82%).¹
RADIOTERAPIA: essa abordagem utiliza a radiação para destruir as células tumorais, podendo ser na forma de feixes de elétrons, braquiterapia ou raios X de ortovoltagem.³ Ela é mais indicada para pacientes com lesões grandes, onde a intervenção cirúrgica representaria altos riscos de perda da função do local atingido, como a perda da sensibilidade e paralisia.¹ As taxas de cura com esse tipo de terapia são altas (80% a 90%), mas a técnica apresenta riscos de eventos adversos como a toxicidade da pele, alterações das estruturas, alopecia, necrose da cartilagem e desenvolvimento de um câncer secundário.¹
INIBIDORES DA VIA HEDGEHOG: esses são medicamentos de via oral considerados tratamentos para o Câncer de Pele não melanoma avançado: grandes e de difícil tratamento, que não são candidatos a ressecção ou radioterapia. Existem dois tipos de medicamentos inibidores da via Hedgehog: Vismodegib e o Sonidegib. Eles geralmente são utilizados para diminuir os tumores antes da intervenção cirúrgica ou para controlar o crescimento tumoral a longo prazo.¹
A escolha do tratamento ideal para o Câncer de Pele não melanoma deve ser feito em associação entre o médico oncologista e o paciente, alinhando as expectativas do paciente e a manutenção da qualidade de vida.
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Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
Fonte: ¹ COLLINS, Alexandra; SAVAS, Jessica; DOERFLER, Laura. Nonsurgical treatments for nonmelanoma skin cancer. Dermatologic clinics, v. 37, n. 4, p. 435-441, 2019. ² Instituto Nacional do Câncer, INCA, Tipos de Câncer, “Câncer de pele não melanoma”. ³ Instituto Nacional do Câncer, INCA, “Oficina em Radioterapia”.
