No Brasil, mais da metade da população está acima do peso. E esse é um assunto que abordo muito, principalmente entre minhas pacientes mulheres, pois o excesso de peso aumenta os índices de desenvolvimento, agressividade, metástase e recidiva do Câncer de Mama. E entre elas, a incidência da obesidade aumentou em cerca de 15% na última década, o que é muito preocupante. Então hoje, no Dia Mundial da Obesidade, trago algumas informações importantes para alertar e gerar consciência sobre esse tema.

O QUE SE ENTENDE POR SOBREPESO OU OBESIDADE

A condição de obesidade se dá através do acúmulo de gordura corporal. Essa gordura é armazenada em células chamadas adipócitos, que se expandem em tamanho e quantidade de acordo com a quantidade de gordura consumida através da alimentação. No entanto, a forma mais simples de determinar o estado de obesidade ou sobrepeso é através do cálculo do IMC, o Índice de Massa Corporal. Pessoas acima do peso possuem IMC maior que 24,9 e os obesos, IMC maior que 30.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE OBESIDADE, VIDA SEDENTÁRIA E CÂNCER DE MAMA?

A gordura presente nos adipócitos também pode ser utilizada pelo nosso organismo como fonte de energia, assim como os açúcares (glicose). Contudo, para que isso seja possível, é preciso que o gasto energético corporal seja maior que a ingestão. A melhor forma de manter o peso dentro dos limites ideais é através de uma alimentação balanceada e da prática de atividades físicas. Quando isso não acontece, ocorre o acúmulo, propiciando o aumento de peso excessivo e consequentemente, do IMC. O sobrepeso e a obesidade em mulheres está altamente relacionado ao aumento da incidência do câncer de mama, assim como ao aumento do risco de mortalidade por todas as causas relacionadas ao câncer.

“Mas Dr., por quais mecanismos isso acontece?”

Lembra-se do tecido adiposo que citei anteriormente, responsável por armazenar a gordura corporal? Ele também produz e secreta algumas substâncias no organismo, que contribuem para o desenvolvimento e recidiva do câncer de mama, principalmente em mulheres pós-menopausa. As principais são:

– Estrogênio: as glândulas adrenais, que se localizam próximas aos rins, produzem um hormônio chamado androstenediona. O tecido adiposo realiza um processo chamado de aromatização, transformando a androstenediona em estrogênio. Assim, mulheres obesas possuem cerca de 35% a mais de estrona e 130% a mais de estradiol, dois hormônios do tipo estrogênio, quando comparadas com mulheres no peso ideal. Da mesma forma, mulheres que realizam terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona por um período maior a 5 anos também apresentam maiores riscos.

– Aumento do colesterol:* o colesterol é uma gordura presente na membrana de diversas células do nosso organismo. Essa gordura é transportada pelo corpo através do que chamamos de HDL (colesterol bom) e o LDL (colestrol ruim). O HDL leva o colesterol para o fígado, onde será eliminado, e o LDL faz o processo contrário, transportando o colesterol até os vasos sanguíneos. A obesidade causa o aumento do colesterol ruim, favorecendo o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. Esse acúmulo favorece a formação acelerada dos tumores e sua exacerbada agressividade.

– Inflamação: o tecido adiposo também produz substâncias chamadas de “pró-inflamatórias”. Como o nome já sugere, ocorre a indução de uma inflamação sistêmica, o que também é precursora para o desenvolvimento e crescimento do câncer de mama.

– Adiponectina: é uma substância produzida quase exclusivamente pelo tecido adiposo, mas que em pessoas obesas, por um desequilíbrio, é menos produzida. Os baixos níveis de adiponectina foram associados a tumores de mama maiores, mais agressivos e com aumento da metástase. Por outro lado, mulheres com altos níveis de adiponectina (mais magras) possuem 65% menos risco de câncer de mama.

A RECIDIVA DO CÂNCER DE MAMA EM MULHERES OBESAS

Devido às associações apresentadas, a minha recomendação é que mulheres durante o tratamento do câncer de mama devem evitar o ganho de peso e as mulheres que se encontram em estado de obesidade devem realizar acompanhamento médico e nutricional para estimular a perda de peso após o término do tratamento. Evitar terapias hormonais com estrogênio e progesterona também é uma estratégia que deve ser conversada no consultório, principalmente se você se encontra na pós-menopausa.

Entretanto, evitar a recidiva do Câncer de Mama pode ir muito além da perda de peso. Para saber mais sobre isso, acesse: “Você é uma “sobrevivente” do câncer de mama? Conheça dicas que podem minimizar o risco dessa doença”.

Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fonte:

¹ Engin A. (2017). Obesity-associated Breast Cancer: Analysis of risk factors. Advances in experimental medicine and biology, 960, 571–606.

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