“Quimioterapia é o tratamento composto por um conjunto de medicamentos que impedem o crescimento celular.” Bem, até aí não ficou muito claro o porquê de se usar tratamentos quimioterápicos contra diversos tipos de cânceres, e é isso o que vamos discutir adiante. Para se ter uma ideia, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, aproximadamente sete em cada 10 (70%) casos de câncer necessitarão de quimioterapia, enquanto que a necessidade de radioterapia fica em torno de 60%¹. Ou seja, é muito provável que quando você pensar em câncer, também o associe com quimioterapia.

O QUE É, DE FATO, “QUIMIOTERAPIA”?

Como já mencionei anteriormente, esse tipo de terapia usa diferentes tipos de medicamentos que atuam em conjunto para impedir o crescimento celular. Isso acontece porque as células cancerosas tendem a se multiplicar indiscriminadamente, assim, esses medicamentos impedem que essas células defeituosas continuem se dividindo e, consequentemente, o tumor aumentando. O problema é que as drogas também interferem em outras células que têm uma taxa de divisão mais alta, como as dos cabelos e pelos, por isso um dos efeitos colaterais mais comuns é perdê-los.

A adesão da quimioterapia como parte do tratamento oncológico depende do tipo de câncer do paciente, do seu tamanho e se ele se espalhou ou não. A quimioterapia é um tratamento sistêmico, ela circula por todo o corpo na corrente sanguínea e pode tratar cânceres em quase todos os lugares. Em contraponto, a cirurgia apenas remove o tumor em uma área específica e a radioterapia trata apenas a área do corpo a que se destina. É possível fazer quimioterapia pelas seguintes razões²:

  • Para “encolher” um câncer antes da cirurgia ou radioterapia;

  • Para tentar impedir que o câncer volte após a cirurgia ou radioterapia;

  • Como um tratamento de escolha, se o seu tipo de câncer for muito sensível a ela;

  • Para tratar o câncer que se espalhou desde seu local de origem.

 

A QUIMIO É FEITA SEMPRE APÓS A CIRURGIA?

Não! É evidente que essa é o tipo de abordagem mais comum, porém é possível, por exemplo, realizar esse procedimento antes da cirurgia. De acordo com o Instituto de Pesquisa em Câncer do Reino Unido, é possível realizar a quimioterapia:

  • ANTES da cirurgia ou radioterapia

O objetivo da quimioterapia antes da cirurgia é reduzir o tamanho do tumor para facilitar o procedimento cirúrgico e/ou a viabilização da remoção de todo o câncer. Em alguns casos, após a redução do câncer com a quimio, também é recomendado algumas sessões de radioterapia em uma área menor do corpo. Esse tipo de tratamento pode ser denominado “neoadjuvante”, ou tratamento primário.

  • APÓS cirurgia ou radioterapia

De uma maneira simples, o objetivo da quimioterapia após a cirurgia ou radioterapia é diminuir o risco de o câncer voltar no futuro, ou seja, é o “adjuvante”.

  • Em casos de CÂNCERES DE SANGUE

Esses tipos de cânceres, principalmente as leucemias, são muito sensíveis à quimioterapia, e nem sempre requerem cirurgias.

  • Em casos de METÁSTASE (quando o câncer se espalhou)

Não somente nos casos de metástase existente, dependendo do tipo de câncer, se houver a possibilidade dele se espalhar, é recomendado a quimioterapia. Às vezes, as células cancerosas se desprendem de um tumor, e aí viajam para outras partes do corpo através da corrente sanguínea ou sistema linfático. Então, essas células defeituosas podem se estabelecer em outros órgãos e desenvolver novos tumores. Eles são chamados de cânceres secundários ou metástases. Os medicamentos circulam na corrente sanguínea ao redor do corpo para tratar as células cancerosas que se espalharam.

  • COM radioterapia

É possível realizar ambos os tratamentos ao mesmo tempo. Isso é chamado de quimiorradioterapia ou quimiorradiação. Essa associação torna a radioterapia mais eficaz, entretanto, é prescrito em casos específicos pois os efeitos colaterais são mais intensos.

OS MEDICAMENTOS SÃO OS MESMOS PARA TODOS OS CÂNCERES?

Nem sempre. A escolha dos medicamentos para a quimioterapia depende de onde o seu câncer começou, ou seja, dependem do seu tipo de câncer. As diferentes drogas quimioterápicas têm abordagens diferentes nas células e, portanto, atuam mais eficientemente em diferentes tipos de tumores. Por exemplo, os medicamentos prescritos para um câncer que se iniciou na mama e se espalhou para o pulmão podem ser diferentes daqueles administrados para um câncer que se iniciou no pulmão.

ESSE TRATAMENTO É FUNCIONAL PARA TODOS OS PACIENTES?

Também não. Muitos tipos de câncer são sensíveis à quimioterapia, principalmente os que têm altas taxas de divisão celular. No entanto, também existem muitos outros que não respondem bem a esse tratamento. A escolha desse procedimento depende da origem do tumor, da gravidade da doença e do estado de saúde do paciente. Esse é um tratamento difícil, portanto é preciso estar bem o suficiente para se submeter a ele. É preciso realizar uma bateria de exames antes de realizar a quimioterapia para garantir que os efeitos colaterais serão mínimos, e então, a escolha dessa abordagem depende da análise dos riscos e benefícios de usar esse método para cada paciente.

Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, então entre em contato comigo!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fontes:

¹ Bittencourt, R. et al., Revista Brasileira de Cancerologia, Instituto Nacional do Câncer, INCA, “Perfil epidemiológico do câncer na rede pública em Porto Alegre – RS”. Disponível em: http://www1.inca.gov.br/rbc/n_50/v02/pdf/ARTIGO1.pdf

² Cancer Research UK, “When you might have chemotherapy”. Disponível em: https://www.cancerresearchuk.org/about-cancer/cancer-in-general/treatment/chemotherapy/when-you-might-have-chemotherapy

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