Nós temos falado sobre câncer de pele nesses últimos blogs, e, se você tem sido um leitor assíduo desse conteúdo, já sabe que é o tipo de câncer mais comum no nosso país, e também o mais negligenciado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, o câncer de pele normalmente aparece nas áreas mais expostas ao sol, como no rosto e nos braços, por exemplo¹. Entretanto, é preciso deixar claro que isso não exclui a possibilidade de lesões surgirem em áreas mais “escondidas” do corpo, por isso é importante a autoanálise periódica.

QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS INDICADOS PARA CÂNCER DE PELE?

Preferencialmente, os cânceres de pele devem ser diagnosticados e tratados precocemente, mesmo aqueles que têm baixa letalidade. Isso porque podem provocar lesões mutilantes ou desfigurantes em áreas expostas do corpo, causando sofrimento aos pacientes, principalmente quando ocorrem nas áreas mais expostas, como no rosto, por exemplo. De acordo com a SBD, alguns tratamentos comuns para cânceres do tipo não-melanoma são¹:

-Cirurgia excisional: remoção do tumor com um bisturi, e também de uma borda adicional de pele sadia, como margem de segurança. Os tecidos removidos são examinados ao microscópio, para aferir se foram extraídas todas as células cancerosas. A técnica possui altos índices de cura, e pode ser empregada no caso de tumores recorrentes.

-Curetagem e eletrodissecção: usadas em tumores menores, promovem a raspagem da lesão com cureta, enquanto um bisturi elétrico destrói as células cancerígenas. Para não deixar vestígios de células tumorais, repete-se o procedimento algumas vezes. Não recomendáveis para tumores mais invasivos.

-Criocirurgia: promove a destruição do tumor por meio do congelamento com nitrogênio líquido. A técnica tem taxa de cura menor do que a cirurgia excisional, mas pode ser uma boa opção em casos de tumores pequenos ou recorrentes. Não há cortes ou sangramentos. Também não é recomendável para tumores mais invasivos.

-Cirurgia a laser: remove as células tumorais usando o laser de dióxido de carbono ou erbium YAG laser. Por não causar sangramentos, é uma opção eficiente para aqueles que têm desordens sanguíneas.

-Cirurgia Micrográfica de Mohs: o cirurgião retira o tumor e um fragmento de pele ao redor com uma cureta. Em seguida, esse material é analisado ao microscópio. Tal procedimento é repetido sucessivamente, até não restarem vestígios de células tumorais. A técnica preserva boa parte dos tecidos sadios, e é indicada para casos de tumores mal-delimitados ou em áreas críticas principalmente do rosto, onde cirurgias amplas levam a cicatrizes extensas e desfiguração.

-Terapia Fotodinâmica (PDT): o médico aplica um agente fotossensibilizante, como o ácido 5-aminolevulínico (5-ALA) na pele lesada. Após algumas horas, as áreas são expostas a uma luz intensa que ativa o 5-ALA e destrói as células tumorais, com mínimos danos aos tecidos sadios.

É importante mencionar que esses tratamentos, e outros tipos, são recomendados apenas por um médico especializado.

E COMO FUNCIONA QUANDO O CÂNCER SE DÁ NO ROSTO?

Em casos em que é necessária uma retirada maior de tecido afetado pelo câncer, um dos questionamentos é se deve ou não fazer o uso de anestesia geral no paciente. Um estudo feito por Bordianu e colaboradores, um grupo de cientistas europeus, avaliou as condições de pacientes com câncer de pele no rosto e o uso de anestesia local ou geral².

De acordo com os pontos levantados, o uso da anestesia local faz com que a remoção das lesões ocorra pontualmente, facilitando a reconstrução facial. O uso desse tipo de anestesia minimiza o tempo da operação e da hospitalização do paciente, reduzindo custos e acelerando a recuperação. No entanto, em muitos dos casos, o uso apenas da anestesia local na excisão de tumores de pele na região facial pode causar desconforto e aumento do estresse dos pacientes. Dessa maneira, o uso da anestesia geral é cogitado². De fato, para traçar o método de tratamento adequado para o paciente, é preciso que o médico especialista leve em consideração tanto o estado físico quanto psicológico para a escolha da abordagem terapêutica.

Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fontes:

¹ Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, “Câncer de pele”. Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/

² Bordianu, Anca, and Florin Bobirca, Journal Of Medicine And Life, “Facial skin cancer surgery under local anesthesia.” Disponível em: DOI: 10.25122/jml-2018-0059

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