O câncer de pele é o mais comum e o mais negligenciado no Brasil. Isso porque muita gente não cuida e nem repara tanto na sua pele, no surgimento de alguma mancha até que ela esteja grande demais. Você mesmo, caro leitor, passou protetor solar hoje? E sim, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda que o protetor seja aplicado mesmo que não se saia de casa¹. Para se ter uma ideia, de acordo com o INCA, um em cada quatro cânceres detectados no país é de pele². Mas, diante desse panorama, como saber se é necessário realizar a cirurgia, e como funciona esse tipo de procedimento?

QUAIS OS TIPOS DE CÂNCER DE PELE?

De acordo com a SBD, os tipos mais comuns são³:

– Carcinoma basocelular (CBC): é o mais prevalente e surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme (a camada superior da pele). Tem baixa letalidade e pode ser curado em caso de detecção precoce. Os CBCs surgem mais frequentemente em regiões do corpo expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. No entanto, mesmo que raramente, também podem se desenvolver em regiões não expostas ao sol. É preciso ficar atento poque certas manifestações do CBC podem se assemelhar a lesões não cancerígenas, como eczema ou psoríase, como se fosse uma alergia na pele. Somente um médico especializado pode diagnosticar e prescrever a opção de tratamento mais indicada.

– Carcinoma espinocelular (CEC): segundo mais prevalente dentre todos os tipos de câncer. Manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol. A pele nessas regiões, normalmente, apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. Alguns casos da doença estão associados a feridas crônicas e cicatrizes na pele, uso de drogas antirrejeição de órgãos transplantados e exposição a certos agentes químicos ou à radiação. Normalmente, os CECs têm coloração avermelhada e se apresentam na forma de machucados ou feridas espessos e descamativos, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente. Eles podem ter aparência similar à das verrugas.

– Melanoma: tipo menos frequente, o mais perigoso e com o maior índice de mortalidade. Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença. O melanoma, em geral, tem a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos. Porém, a “pinta” ou o “sinal”, em geral, mudam de cor, de formato ou de tamanho, e podem causar sangramento. Por isso, é importante observar a própria pele constantemente, e procurar imediatamente um dermatologista caso detecte qualquer lesão suspeita. Essas lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, embora sejam mais comuns nas pernas, em mulheres; nos troncos, nos homens; e pescoço e rosto em ambos os sexos. Além disso, vale lembrar que uma lesão considerada “normal” para um leigo, pode ser suspeita para um médico.

TODOS ELES REQUEREM TRATAMENTO CIRÚRGICO?

Não exatamente. Mas todos os tipos de câncer de pele necessitam de um acompanhamento intensivo após o diagnóstico pelo profissional. Para os cânceres não-melanóticos, os tratamentos envolvem a retirada do tumor. E isso pode ser feito cirurgicamente, retirando a pele e tecidos do local, através de cirurgia a laser, e até, em casos de lesões pequenas, por intermédio de curetagem e eletrodissecção. No caso de melanomas, o tratamento depende do estado físico do paciente, do tamanho da lesão e da possibilidade de metástase. Entretanto, independente do tipo, o diagnóstico precoce é crucial para menores consequências para a saúde do paciente. Quando a lesão é pequena, os tratamentos podem ser realizados por um dermatologista especialista, até mesmo em clínicas. Para lesões maiores, é preciso o acompanhamento com um oncologista para averiguar toda a saúde do paciente e métodos mais invasivos⁴.

REGRA DO “ABCDE” & AUTOEXAME SÃO MUITO IMPORTANTES!

Na massiva maioria dos casos, o diagnóstico precoce é essencial para o melhor prognóstico do tratamento. Da mesma forma que o câncer de mama, e outras doenças, o autoexame é fundamental para esse diagnóstico. Em frente ao espelho, é importante observar se não há pintas, manchas ou sinais no corpo que estão se modificando. Machucados na superfície na pele que não cicatrizam ou sangram com facilidade também são sinais de que se deve procurar um dermatologista.

Por isso, para te ajudar nesse processo, a SBD recomenda a regra do “ABCDE”, usando as 5 primeiras letras do alfabeto para expressar³:

(A) Assimetria:

Assimétrico: maligno | Simétrico: benigno

(B) Borda:

Borda irregular: maligno | Borda regular: benigno

(C) Cor:

Dois tons ou mais: maligno | Tom único: benigno

(D) Dimensão:

Superior a 6 mm: provavelmente maligno | Inferior a 6 mm: provavelmente benigno

(E) Evolução:

Cresce e muda de cor: provavelmente maligno | Não cresce nem muda de cor: provavelmente benigno

UM CHAMADO ESPECIAL: DEZEMBRO LARANJA

Dezembro é o mês DO verão no Brasil, por mais que em 2020 os planos de férias estão um tanto alterados, ainda é o mês em que mais surgem atividades ao ar livre, envolvendo praia ou piscina. Dessa forma, também é o mês escolhido pela SBD para a conscientização da população sobre a proteção contra os danos solares. É preciso se proteger usando bloqueadores solares adequadamente, de no mínimo 30 FPS, evitando ficar ao sol entre 10h e 16h, que é o pico de intensidade luminosa, se necessário, usar roupas que protejam do sol, e com certeza evitar bronzeamento artificial.

Além disso, a campanha aborda outras dicas para a prevenção e tratamento do câncer de pele. Segundo a SBD, são cerca de 180 mil novos casos ao ano, e quando descoberto no início, tem mais de 90% de chances de cura. Se você quer saber mais sobre a campanha é só acessar https://www.sbd.org.br/dezembroLaranja. Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fontes:

¹ Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, “Cuidados diários com a pele”. Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/cuidados/cuidados-diarios-com-a-pele/

² Instituto Nacional do Câncer, INCA, Tipos de Câncer, “Câncer de pele não melanoma”. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pele-nao-melanoma

³ Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, “Câncer de pele”. Disponível em: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/

⁴ Riml S, Larcher L, Kompatscher P., “Complete excision of nonmelanotic skin cancer: a matter of surgical experience.” Disponível em: DOI: 10.1097/SAP.0b013e3182223d7b.

Olá, você precisa de ajuda?