59.700: este é o número aproximado de novos casos de câncer de mama em 2019 no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer, INCA. Mas a boa notícia é que, quando diagnosticado cedo, a taxa de sobrevida em 5 anos é de até 99% – para tumores localizados. Por isso, o Ministério da Saúde e a comunidade médica em geral concentram seus esforços em trazer essas informações às mulheres (principalmente), o diagnóstico precoce é essencial para um tratamento eficiente contra o câncer de mama!

No entanto, quem já teve esse tipo de tumor não pode se descuidar, um novo câncer pode reaparecer depois de passado o tratamento. É preciso tomar alguns cuidados para minimizar as chances de ser acometido pela doença novamente. Felizmente, por sua alta incidência mundial, o câncer de mama é bem estudado em muitos aspectos e, de acordo com as pesquisas, buscar manter-se o mais saudável possível é mais importante do que nunca após a terapia. De maneira sintética, controlar o peso, manter-se fisicamente ativo e alimentar-se bem pode ajudar a diminuir o risco do câncer voltar, além de ajudar a proteger de outros problemas de saúde.

Portanto, listei alguns aspectos importantes, com base nas recomendações da Sociedade Americana de Câncer (1), para serem levados em consideração na luta para minimizar o risco da doença voltar:

1. ALCANÇAR UM PESO SAUDÁVEL

Esta é uma dica clássica: manter um peso saudável pode ajudar – e muito – a diminuir o risco da reincidência do câncer de mama. Inúmeras pesquisas sugerem que estar acima do peso, ou em condição de obesidade, aumenta as chances do tumor voltar. Além disso, o sobrepeso também está relacionado a um risco maior de desenvolver linfedema, bem como a um risco maior de morrer de câncer de mama (1,2).

Apesar de existirem menos pesquisas para confirmar que a perda de peso durante ou após o tratamento é, de fato, vital para reduzir o risco do câncer de mama voltar, isso demonstrou melhorar a qualidade de vida e o funcionamento físico entre sobreviventes da doença. O peso saudável, bem como um estilo de vida saudável, está associado à diminuição do risco de contrair outros tipos de câncer e doenças crônicas. É claro que algumas pacientes apresentam um aumento de peso durante o tratamento em decorrência dos medicamentos, por isso, essa demanda nutricional deve ser acompanhada pelo médico, mesmo após o término da terapia.

2. SER FISICAMENTE ATIVO

Os efeitos da atividade de física na qualidade de vida são indiscutíveis. Alguns estudos também encontraram uma ligação consistente entre manter-se fisicamente ativo e menores riscos do câncer de mama voltar, ou de morrer por causa desse câncer – 12% das mortes poderiam ser evitadas se os pacientes mantivessem alguma atividade física regular (3).

3. TER UMA DIETA SAUDÁVEL

Apesar de parecer ser redundante com o primeiro item, não é só o “valor” do peso saudável que importa, mas também a qualidade da sua dieta. Ainda não podemos afirmar que ingerir certo tipo de alimento específico vai minimizar o risco da doença voltar, mas estudos mostram que sobreviventes do câncer de mama que comem dietas ricas em vegetais, frutas, grãos inteiros, frango e peixe tendem a viver mais do que aqueles que comem dietas que têm mais açúcares refinados, gorduras, carnes vermelhas (como carne bovina, suína e cordeiro) e carnes processadas (como bacon, salsicha, carnes de almoço e cachorros-quentes) (4). Entretanto, ainda não está totalmente claro se isso é devido aos efeitos sobre o câncer de mama ou possivelmente a outros benefícios para a saúde de uma dieta saudável.

4. INGERIR SUPLEMENTOS DIETÉTICOS

Aqui, os suplementos dietéticos ou nutricionais envolvem a ingestão de vitaminas, minerais e produtos à base de plantas. Na verdade, nada disso demonstrou ajudar claramente a reduzir o risco de progressão ou retorno do câncer de mama, segundo a Sociedade Americana de Câncer (1). É claro que isso não quer dizer que esses suplementos não possam ter algum benefício, entretanto é preciso deixar claro que a ingestão dessas vitaminas deve ocorrer somente sob supervisão médica.

5. INGERIR ÁLCOOL

É claro que a ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo que sejam poucos drinques por semana, está associado ao aumento de risco de desenvolver câncer de mama. Apesar de ainda não estar claro a sua influência na questão da reincidência da doença, mas é claro que não é recomendado beber álcool depois de vencer esse câncer. Para as mulheres que bebem, elas devem limitar a ingestão a não mais do que 1 bebida por dia para ajudar a diminuir o risco de desenvolver certos tipos de câncer (incluindo câncer de mama) (1), mas o melhor é não beber.

Seguir essas dicas é essencial não só para diminuir o risco de reincidência do câncer de mama, mas também de contrair a doença. É por isso que a educação em saúde faz toda a diferença, assim como a implementação de medidas de prevenção e diagnóstico precoce. O autoexame tem o seu valor, mas não é suficiente para o rastreamento de nódulos cancerígenos nas mamas, a mamografia é o exame ideal para tal. Além disso, ela deve ser realizada a cada dois anos em todas as mulheres entre 50 e 69 anos de idade, mas se houver casos na família, o acompanhamento regular deve acontecer antes dessa faixa. Nesse Outubro Rosa, a mensagem mais importante é a do autocuidado e do autoconhecimento para um diagnóstico precoce e tratamento efetivo!

Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato.

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fontes:

(1) American Cancer Society, Breast Cancer, Living as a Breast Cancer Survivor, “Can I Lower My Risk of Breast Cancer Progressing or Coming Back?” Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/living-as-a-breast-cancer-survivor/can-i-lower-my-risk-of-breast-cancer-progressing-or-coming-back.html

(2) Papa, A.M. et al., Revista Brasileira de Oncologia Clínica, “Impacto da obesidade no prognóstico do câncer de mama”. Disponível em: https://www.sboc.org.br/sboc-site/revista-sboc/pdfs/31/artigo3.pdf

(3) Silva, D.A.S. et al., Scientific Reports, “Mortality and years of life lost due to breast cancer attributable to physical inactivity in the Brazilian female population (1990–2015).” Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41598-018-29467-7

(4) Weigl, Julia et al., Breast care (Basel, Switzerland), “Can Nutrition Lower the Risk of Recurrence in Breast Cancer?” Disponível em:

doi:10.1159/000488718

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