O câncer de mama é, hoje, o mais comum entre as mulheres do Brasil e do mundo. De acordo com uma estimativa feita pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre os anos de 2020 e 2022, surgirão 66.280 novos casos de câncer de mama no país, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. Isso é muito. E mais, cerca de 5% dos casos de câncer de mama atualmente acontece em mulheres com menos de 35 anos. O que corresponde a uma porção considerável de mulheres jovens que podem engravidar ou, ainda, já estão grávidas.

Diante dessa situação, muitas pacientes têm dúvidas se podem ou não engravidar, ou se ficarem grávidas, apresentam-se receosas com relação à amamentação.  Realmente é um panorama delicado. É impossível generalizar apontando que pode ou não ser feito, mas, antes de tudo, é preciso deixar claro que cada caso é específico. Desta maneira, o ideal é que a paciente seja acompanhada por um especialista e que siga as instruções do médico responsável.

No entanto, apoiar a amamentação é uma prioridade de saúde global, afinal, além de estreitar laços preciosos entre a mãe e o bebê, é extremamente importante para seu desenvolvimento saudável.

MAS COMO O CÂNCER DE MAMA INFLUENCIA NA AMAMENTAÇÃO?

Muitos mitos são formados em torno do câncer de mama e a amamentação. De uma maneira muito simplista – e bem generalizada – o tumor maligno começa, em muitos dos casos, nas células que revestem a camada ais interna do ducto mamário. Portanto, não interfere na “qualidade” do leite produzido, ou seja, ele seria seguro, de certa forma, para ser ingerido pelo bebê.

O problema é que se houver a mastectomia, que é a retirada da mama por completo, as glândulas mamárias também são retiradas, o que torna impossível a produção de leite. Entretanto, essa retirada pode ser parcial, de uma mama apenas, ou total, as duas. Então, nos casos da retirada parcial, ainda é possível manter uma amamentação exclusiva para o bebê. Por outro lado, em muitas mulheres, a incapacidade de amamentar também pode estar associada a um estresse psicológico significativo de longo prazo, por causa do câncer de mama (ou de qualquer outro tipo) durante a gravidez, por exemplo.

ENTÃO MULHERES QUE JÁ TIVERAM CÂNCER DE MAMA PODEM AMAMENTAR?

Se não houver retirada de ambas as mamas, com certeza! Mas, volto a afirmar que todo esse processo deve ser acompanhado por um médico especialista. Contudo, alguns médicos recomendam que as pacientes engravidem apenas após 2 anos do término do tratamento. Além disso, dependendo do tipo de abordagem terapêutica, é possível notar diferenças no volume da lactação, por exemplo.

Mulheres que sofreram cirurgia ou que tiveram as mamas preservadas e foram submetidas a terapias radioativas podem ter, mais tarde, um volume de leite insuficiente. Dependendo do tipo de abordagem cirúrgica, é possível que os dutos terminais sejam rompidos e, então, a saída do leite materno seja obstruída. Ou então, algumas incisões na cirurgia podem impactar a inervação do mamilo, e afetar os reflexos de ejeção e regulação da produção de leite. A quimioterapia também pode ser outro problema para as futuras lactantes. Isso porque esses fármacos podem causar alterações histopatológicas irreversíveis que afetam a produção de leite materno, principalmente no caso das mulheres que têm de tratar o câncer durante a gravidez.

E AS LACTANTES QUE ESTÃO NO MEIO DO TRATAMENTO?

Amamentar durante o tratamento contra o câncer de mama não é recomendado. Os medicamentos usados podem prejudicar o bebê e, inclusive, engravidar durante esse período é muito arriscado para o desenvolvimento saudável do feto. Há casos em que a mulher só fica sabendo do câncer quando já está amamentando, por exemplo. Então toda a situação vai depender de cada caso específico. Porém, se a mãe tiver de se submeter ao tratamento imediato, nesses casos, a saída é alimentar o bebê com outro leite, seja industrial ou proveniente dos bancos de leite maternos.

NÃO AMAMENTAR O BEBÊ NÃO SIGNIFICA UM PONTO FINAL

A falta dos seios não significa que as mães não podem amamentar seus filhos. Em alguns casos, as mães podem ter a sensação de amamentar seus bebês por meio da técnica de “translactação”. Consiste em colocar o bebê junto ao peito para mamar o leite por meio de uma sonda próxima ao mamilo. Além disso, o leite humano do banco de leite também é uma alternativa para essas mães. Por isso é tão importante o incentivo a outras mulheres em doar seu leite para essas instituições especializadas em atender bebês desprovidos de aleitamento.

Tem mais alguma dúvida sobre câncer de mama e amamentação? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

Fonte:

Johnson, Helen M, and Katrina B Mitchell, Annals of Surgical Oncology, “Breastfeeding and Breast Cancer: Managing Lactation in Survivors and Women with a New Diagnosis.” Disponível em: doi:10.1245/s10434-019-07596-1

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