Neste artigo, comento um pouco sobre uma possível complicação bastante comum  após a cirurgia do câncer de mama e que a ciência ainda não compreende muito bem: a dor crônica no ombro.

 

O CÂNCER DE MAMA

O câncer de mama é um grupo de doenças consideradas heterogêneas devido as suas variadas manifestações clínicas e morfológicas, diferentes assinaturas genéticas e consequentemente diferentes respostas terapêuticas.

No cenário mundial, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres, com cerca de 2,3 milhões de casos estimados em 2020, o qual representa 24,5% dos novos casos por câncer em mulheres. No Brasil as estatísticas não diferem, segundo os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Câncer, o câncer de mama é mais incidente em mulheres de todas as regiões, sendo que para este ano de 2021 foram estimados 66.280 casos novos.

O TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA

Apesar de todos os notáveis tratamentos para esse tumor maligno como a radioterapia, a quimioterapia, a terapia hormonal e a cirurgia, o tratamento cirúrgico continua sendo muito importante para vários casos. A cirurgia de câncer de mama pode ser dividida em dois tipos: curativa ou paliativa, ou ainda em mastectomia (remoção completa da mama) e em cirurgia de conservação do seio. 

Anteriormente a mastectomia foi muito ligada à dor crônica no ombro, aparecendo até na então chamada “síndrome dolorosa pós-mastectomia”. Entretanto, um recente estudo mostrou que essa dor nem sempre está associada à cirurgia, pois curiosamente cerca de 10% dos pacientes que sofriam de dor crônica no ombro oposto ao da cirurgia.

A DOR CRÔNICA NO OMBRO PÓS-MASTECTOMIA

Segundo a International Association for the Study of Pain, a dor no ombro é caracterizada por sintomas nas articulações, músculos, tendões e a cápsula envolvida na movimentação do ombro. Essa dor é variável e pode ocorrer sem causa direta, ou pode estar relacionada a trauma, movimentos repetitivos, ou um evento neurológico. A dor no ombro frequentemente causa limitação de atividade a curto prazo e, menos frequentemente, desenvolve-se em uma condição crônica.

Entre os motivos sugeridos que levam à dor crônica no ombro estão danos de nervos durante a cirurgia, fibrose durante a cicatrização e radioterapia, entretanto esses ainda não estão bem evidenciados em estudos científicos. Por se tratar de uma dor crônica, os medicamentos utilizados para tratamento são os mesmos comumente utilizados para demais dores neuropáticas, antidepressivos e antiepiléticos, entretanto bem todos os pacientes respondem a essas abordagens medicamentosas.

O QUE FAZER CASO EU APRESENTE ESSES SINTOMAS?

O diagnóstico  da dor crônica no ombro deve ser feito por um profissional médico que indicará o melhor tratamento a ser seguido. Lembre-se que esta é uma doença com causas múltiplas e com tratamentos diversos a depender da especificidade do paciente.

Em caso de mais dúvidas sobre o assunto, entre em contato comigo que estarei disposto a esclarecê-las!

Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

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