8.450: esse foi o número estimado de novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil, em 2020. Quando falamos em mortes, as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) confirmam 1.978, em 2019. Tais dados demonstram o prognóstico geral ruim relacionado a essa doença, considerado o tipo mais grave de câncer de pele, por estar altamente associado a casos de metástase. Sabemos que no passado as opções de tratamento para o melanoma metastático eram limitadas, restritas apenas à ressecção cirúrgica completa. No entanto, na última década vimos uma grande evolução com a introdução de novas classes de medicamentos terapêuticos. Mas a questão é:
QUAL É O PAPEL DO TRATAMENTO CIRÚRGICO PARA O MELANOMA METASTÁTICO NO CENÁRIO ATUAL?
As taxas de mortalidade associadas ao melanoma metastático tratado cirurgicamente são elevadas, com a sobrevida global mediana estimada em menos de 6 meses. Contudo, o uso de novos medicamentos terapêuticos, como a terapia-alvo (inibidores BRAF e inibidores de MEK) e inibidores do controle imunológico (inibidores de PD-1 e PD-L1), também tem mostrado resultados satisfatórios durante o tratamento.
Dessa forma, o papel do tratamento cirúrgico para o melanoma metastático tem sido questionado e diversos estudos clínicos atuais investigam a eficácia da integração entre a ressecção cirúrgica e o uso de medicamentos. Como em um estudo retrospectivo publicado no Annals of Surgical Oncology: pacientes com melanoma de estágio IV tratados com ressecção cirúrgica tiveram maiores taxas de sobrevivência do que os tratados com terapia sistêmica sozinha. Além disso, a média de sobrevivência também foi maior para os tratados com terapia sistêmica combinada ressecção cirúrgica, quando comparados aos tratados apenas com terapia sistêmica.
Os benefícios da metastasectomia (retirada cirúrgica de uma metástase) quando comparada à terapia medicamentosa isolada já foram demonstrados também em outros estudos. Acredita-se que a ressecção cirúrgica melhora os resultados em casos de melanomas metastáticos por estar associada a relação entre o melanoma e o sistema imunológico. O melanoma possui efeitos imunogênicos que podem levar a um estado imunossupressor generalizado, especialmente em casos de melanoma em estágio IV e que apresentam tolerância à terapia com antígenos tumorais.
O QUE PODEMOS CONCLUIR SOBRE O TRATAMENTO PARA O MELANOMA METASTÁTICO?
A terapia sistêmica tornou-se uma modalidade de tratamento complementar, não estando mais restrita ao uso em pacientes com contraindicações para a ressecção cirúrgica. No entanto, embora os relatos de uso da terapia alvo e inibidores do controle imunológico em conjunto com a ressecção cirúrgica sejam promissores, os dados sobre o tempo de sobrevida a longo prazo são limitados. Dessa forma, à medida que novos ensaios clínicos forem realizados, é esperado que o uso da terapia alvo e inibidores do controle imunológico se tornem cada dia mais associados ao procedimento de ressecção cirúrgica do melanoma metastático.
A chave será adquirir um olhar multidisciplinar sobre o melanoma metastático.
Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
Fonte:
¹ Enomoto, L. M., Levine, E. A., Shen, P., & Votanopoulos, K. I. (2020). Role of Surgery for Metastatic Melanoma. The Surgical clinics of North America, 100(1), 127–139.
² Tyrell, R., Antia, C., Stanley, S., & Deutsch, G. B. (2017). Surgical resection of metastatic melanoma in the era of immunotherapy and targeted therapy. Melanoma management, 4(1), 61–68.

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