Dentre os tipos de cânceres que já escrevi aqui em meu blog, este certamente possa ser desconhecido para uma grande parte de meus leitores, entretanto não é por se tratar de um tipo novo, mas sim raro. Apesar deste carcinoma ser raro, não devemos negligenciá-lo, pois esse tipo de câncer possui uma agressividade de importante consideração.

O QUE É O CARCINOMA DE CÉLULAS DE MERKEL?
O Carcinoma de células de Merkel é um tipo de carcinoma raro e altamente agressivo de origem neuroendócrina, que é associado com até 40% de mortalidade. 

Os dados do programa estadunidense “Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais” do Instituto Nacional do Câncer, por exemplo, mostram que a incidência anual deste tipo de carcinoma, ajustada por idade, triplicou entre os anos 1986 e 2001 de 0,15 para 0,44 por 100.000 habitantes. Apesar de haver uma variação estatisticamente significante por região, evidencia-se uma maior prevalência desse tipo de carcinoma em regiões com maiores exposições aos raios ultravioletas (UV). 

 Um estudo também do Instituto Nacional do Câncer estadunidense revelou que há uma prevalência aumentada de Carcinoma de  células de Merkel em caucasianos, homens e idosos. Os dados de “Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais” de 3870 casos mostram que 61,5% eram homens, sendo quase exclusivamente brancos. A maioria dos pacientes  tinha mais de 70 anos no momento do diagnóstico, e apenas 4% eram mais jovens do que 50 anos. A idade média no momento do diagnóstico era de 76,2 anos para as mulheres e 73,6 anos para os homens. Os pacientes mais jovens com Carcinoma de células de Merkel são mais propensos a serem imunossuprimidos, mais comumente por transplante de tumor sólido ou HIV/AIDS. Esse tipo de câncer afeta mais frequentemente a cabeça e o pescoço, seguida pelos membros superiores. Apesar da face ser frequentemente afetada, os tumores das pálpebras representam apenas 2,5% dos casos. 

 Embora a patogênese do Carcinoma de células de Merkel seja incompletamente compreendida, o poliomavírus de célula Merkel (MCPyV, sigla inglesa para Merkel cell polyomavirus) desempenha um papel importante, juntamente com a exposição UV e imunossupressão. A sua patogênese molecular é diversa: foi demonstrado que os tumores se ligam e inativam as proteínas supressoras de tumores, incluindo a proteína p53 e a proteína retinoblastoma.

 Entre as características gerais do tumor, o Carcinoma de células de Merkel apresenta-se tipicamente como um tumor assintomático, solitário e muitas vezes vermelho ou violáceo com telangiectasias (popularmente conhecidas como “vasinhos”) sobrejacentes. Tumores de células Merkel da pálpebra e região periocular apresentam-se com características similares aos tumores desse carcinoma de outros locais anatômicos e muitas características dos cinco critérios comuns se aplicam aos tumores: assintomático, expandindo rapidamente, supressão imunológica, mais de 50 anos de idade e local exposto aos raios UV em uma pessoa com pele clara.

 QUAIS OS TRATAMENTOS?
O tratamento de escolha para o Carcinoma de células de Merkel, isto é, cirurgia, radioterapia ou quimioterapia depende de muitos fatores, incluindo a fase do tumor, o envolvimento linfonodal, a localização  do tumor e as comorbidades médicas do paciente.  Sabe-se que o padrão de tratamento cirúrgico para esse tumor maligno tem  sido tradicionalmente uma ampla excisão local. Alguns especialistas sugeriram que a cirurgia por si só é adequada para a doença em estágio inicial. Um estudo de 95 pacientes, a partir de um banco de dados do Instituto  Nacional do Câncer em Milão, que avaliou o uso isolado da cirurgia nas fases iniciais do Carcinoma de células de Merkel evidenciou uma taxa de 80% de sobrevida em 5 anos quando os linfonodos eram patologicamente negativos, que caiu para 58% quando metástases regionais estavam presentes.


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 Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

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