O termo “câncer” ainda hoje é sinônimo de medo. Muitos pacientes encaram o diagnóstico no princípio como uma sentença de morte estabelecida. O imaginário popular, as histórias das novelas e filmes têm grande influência no engrandecimento do câncer, colocando-o como o vilão da história, onde apenas após muitas lutas, batalhas e sofrimento consegue-se a vitória. Mas não precisa ser dessa forma. Não é necessário ser um super-herói para passar pelo câncer.
Cada paciente terá uma experiência diferente, começando pelo momento da dúvida. E após a confirmação, a jornada segue com um caminho longo, com muitos altos e baixos. O processo leva a mudanças significativas, físicas, mentais e espirituais. Existe o medo do desconhecido, a insegurança se não ser forte o suficiente para enfrentar os tratamentos e cirurgias, a busca por um culpado, o medo de não ser curado, e o descobrir-se cuidador de si mesmo.
A experiência do paciente oncológico muda a forma de estar no mundo e se relacionar com os outros, mas principalmente muda a forma de olhar para a própria vida. A pessoa adquire uma noção de autocuidado que ultrapassa as prescritas pelos médicos e enfermeiros. Um dos principais recursos encontrados pelos próprios pacientes para ter uma jornada menos traumática e mais esperançosa, é a espiritualidade e a expressão de amor por si próprio e por amigos e familiares, como pode ser visto no depoimento da minha paciente, Maria:
“Meu nome é Maria, sou cliente do Dr. Rafael desde o ano de 2014, onde foi constatado um câncer muito agressivo no meu estômago e cuja biópsia encontrou uma lesão do coto gástrico (adenocarcinoma papilar invasivo). Foi preciso retirar o estômago e o baço, e como havia metástase no fígado fiz todo tratamento de quimioterapia e os exames regulares receitados pelo Dr. Rafael.
Aderi muito a minha fé em Deus e com esse suporte, da minha fé e do tratamento, hoje faz 7 anos que eu fiz essa cirurgia e estou superada de toda essa doença. Atualmente como bem, faço meus exercícios físicos e vivo uma vida saudável.”
Por isso, descobrir-se cuidador de si mesmo não significa estar sozinho, mas sim aprender a olhar para a própria vida e encontrar apoio no que sempre esteve ali: na família, nos amigos, em Deus, mas principalmente em si próprio. Ninguém nasce preparado para enfrentar uma doença tão agressiva. Ninguém nasce com uma superforça emocional e física. É natural sentir medo e se sentir inseguro. Mas o câncer não pode acabar com a vontade de viver. Na maior parte dos casos, ele não é uma sentença. O que também pode ser visto no depoimento da Alessandra:
“Meu nome é Alessandra, tenho 47 anos e fui diagnosticada com câncer de mama há 7 anos.
No início um grande susto e logo após uma vontade imensa de enfrentar e vencer não apenas por mim, mas pela minha família.
Fiz a cirurgia, quimioterapia e radio, acredito que o diagnóstico precoce aliado ao tratamento adequado e minha vontade de viver foram cruciais para que o desfecho fosse continuar viva e bem!
Hoje levo uma vida normal, ressignificada pela experiência que passei… faço acompanhamento com oncologista e uso hormônio como parte do tratamento.
E também amo e desfruto a convivência da minha família, trabalho, estudo, danço e saboreio a vida, um dia de cada vez, para aproveitar todos eles.”
O Roberto, meu paciente, demonstra todos esses pontos – o medo, a angústia, o apoio na espiritualidade e na família – de uma forma muito bonita através do seu depoimento:
“Me chamo Roberto, tenho 54 anos e ao final do dia 5 de janeiro de 2018, Luciana, minha esposa, chamou-me e disse que precisava conversar. Pelas lágrimas nos olhos dela, já entendi que a nossa caminhada seria árdua – eu estava aguardando o resultado da biópsia do pâncreas. Meu mundo caiu, de um minuto para outro a lista de prioridades de coisas sem importância havia mudado de ordem, sinceramente não esperava receber aquela notícia, foi difícil absorver, porque sabia do prognóstico ruim para esse tipo de câncer.
Por indicação de um amigo da família, médico gastroenterologista, procuramos o Dr. Rafael e, na primeira consulta, ele já foi muito positivo. Propôs tratamento cirúrgico com a retirada parcial do pâncreas, a duodenopancreatectomia. Fiz várias perguntas naquela consulta, desde a real possibilidade de cura completa até a taxa de mortalidade da cirurgia, saí com bastante confiança, tomei posse da cura, tive a certeza que Deus estava no controle, alimentei-me na esperança, fiquei mais tranquilo e com menos angústia.
Na semana seguinte, no dia 17 de janeiro fiz a cirurgia. A cirurgia durou 13 horas. Os dias pós-cirúrgicos não foram fáceis – seguiram mais dois meses de readaptação para alimentação. Foi confirmado, na biópsia do material retirado, um adenocarcinoma em estágio inicial. Fiz, então, 18 sessões de quimioterapia adjuvante, foram seis meses igualmente nada fáceis. O apoio da minha esposa e das minhas filhas foi fundamental para atravessar aqueles momentos.
Passado um ano, pelo estreitamento de um ducto hepático fez-se necessário mais um procedimento cirúrgico para o desbloqueio desse ducto. Mas, dessa vez tive, uma pneumonia, infecção hospitalar. A internação durou 2 meses e houve a necessidade de retirar parte do pulmão esquerdo.
Completado 3 anos da cirurgia, estou bem, curado. Tenho supervisão médica constante, continuo na caminhada e o Dr. Rafael continua me acompanhando. O câncer não foi mais detectado graças a Deus.
Caminhar, ir em frente, caminhar com Deus.”
Hoje, 4 de fevereiro, é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. E a minha intenção com esse texto era demonstrar para vocês, meus pacientes, que pessoas reais passam pelo câncer, todos os dias. Pessoas únicas, com suas próprias questões e incertezas. No entanto, através do acompanhamento médico correto, do autocuidado e de não deixar a esperança de lado, o câncer é uma doença possível de ser superada.
Vocês podem contar comigo. *Foram utilizados nomes fictícios nos depoimentos para preservar a identidade dos pacientes.
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
Fonte:
¹SILVA, Lucia Cecília da. Vozes que contam a experiência de viver com câncer. Psicol. hosp. (São Paulo), São Paulo , v. 3, n. 1, p. 1-17, jul. 2005.
