No final do mês passado, o mundo inteiro ficou chocado com a morte do ator e diretor norte-americano Chadwick Boseman, famoso por interpretar o super-herói Pantera Negra nos cinemas. A surpresa da perda inclui o fato de Boseman ter pouco mais de quarenta anos de idade – ia completar 44 em novembro – e de ninguém saber que ele estava lutando contra o câncer de intestino já há quatro anos.
Aqui no Brasil, estamos no Setembro Verde, uma campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) com o intuito de conscientizar a população sobre o câncer colorretal. Esse é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou em sua porção final, o reto. De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre os homens, e o segundo mais incidente nas mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama.
O QUE PODE AUMENTAR O RISCO PARA ESSE CÂNCER?
Como já abordei em outros textos, manter hábitos saudáveis é um requisito importante na prevenção contra vários tipos de câncer, e o de intestino é um deles. Como esse órgão faz parte da porção final do nosso trato gastrointestinal, é de se esperar que manter uma alimentação não saudável, ou seja, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras, possa ser um agravante. Além disso, consumo de carnes processadas (como salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, peito de peru e salame) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.
Assim, tanto o excesso de peso corporal também como a idade são fatores de risco, pessoas com mais de 50 anos são mais propensas a desenvolver esse tipo de câncer. Fora isso, o histórico familiar de câncer também conta muito. Então, pessoas que já tiveram casos na família, ou casos de câncer de ovário, útero ou mama têm mais chances, além, também, de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
Não posso deixar de citar que, segundo o INCA, doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino. Doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC). Portanto, pacientes com essas doenças devem ser acompanhados de perto para a prevenção e diagnóstico precoce. Por último, a exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode aumentar o risco para câncer de cólon. Assim, profissionais do ramo da radiologia (industrial e médica) devem estar mais atentos.
COMO VOCÊ PODE SE PREVENIR E A QUAIS SINAIS DEVE SE ATENTAR?
A prevenção, além de manter uma dieta saudável, que ajuda a digestão correta e regulada, realizar exercícios físicos regularmente e não fumar – nem se expor ao tabagismo, inclui realizar o exame de colonoscopia regularmente a partir dos 50 anos. Por meio do exame, é possível identificar e retirar pequenas lesões benignas que podem se transformar em tumores, chamadas de pólipos.
Os sintomas mais comuns associados ao câncer colorretal envolvem a presença de sangue nas fezes; alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados); dor ou desconforto abdominal; fraqueza e anemia; perda de peso sem causa aparente; alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas); massa (tumoração) abdominal.
Entretanto, é importante deixar claro que esses são sinais que podem estar presentes em outros problemas “mais simples”, como hemorroidas, verminose e úlcera gástrica, por exemplo. Portanto, caso notado algum desses sintomas, o paciente deve procurar ajuda médica e realizar exames, que serão investigados para o diagnóstico correto e tratamento especifico.
O TRATAMENTO NÃO PRECISA SER COMPLICADO!
Quando o paciente é diagnosticado com câncer de intestino, o tratamento é cirúrgico. Mas, nos casos em que não há metástase, é possível – graças ao avanço das técnicas médicas – realizar esse procedimento através de técnicas minimamente invasivas, ou seja, realizadas por videolaparoscopia ou por meio de equipamentos robóticos. A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, por meio da introdução de uma pequena câmera através da cicatriz umbilical, sem a necessidade de grandes cortes externos na pele.
Essa é uma excelente opção de tratamento, já que é muito menos agressiva, traz menos sofrimento ao paciente, é mais segura e ainda proporciona uma recuperação mais rápida.
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Tem mais alguma outra dúvida sobre o assunto? Estou disposto a ajudar, entre em contato comigo!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico
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Fontes:
Wells, Katerina O, and Anthony Senagore, Surgical oncology clinics of North America, “Minimally Invasive Colon Cancer Surgery.” Disponível em:
doi:10.1016/j.soc.2018.11.004. Instituto Nacional do Câncer, INCA, “Câncer de intestino”. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-intestino
