Durante todos esses meus anos de medicina, já ouvi essa pergunta várias vezes. “É possível diagnosticar o câncer de forma precoce?” e a resposta é: SIM. Por isso, decidi abordar nesse texto os exames mais utilizados para detectar o câncer. Eles são importantes pois informam a gravidade dos tumores, em quais áreas estão se espalhando e ajudam a definir os tratamentos mais adequados.
A Organização Mundial de Saúde informa que o diagnóstico precoce do câncer é um dos principais fatores de sucesso no tratamento. Ao atrasar o tratamento do câncer, os pacientes têm menos chance de sobrevivência, há mais dificuldades durante o tratamento e será necessário obter mais recursos. Por esse motivo, hoje é um dia bastante especial para nós oncologistas: celebramos o Dia da Campanha Educativa de Enfrentamento ao Câncer. Todos nós devemos ter um compromisso com o diagnóstico precoce do câncer para salva vidas!
A importância do diagnóstico precoce de câncer
Muitas vezes, o câncer é detectado em um estágio bastante avançado, visto que, infelizmente, nem todas as pessoas no Brasil têm acesso à saúde preventivas. Com isso, as opções de tratamento ficam limitadas. O que pode ser feito para reverter essa situação? A Organização Pan-Americana de Saúde recomenda três passos para aumentar o diagnóstico precoce de câncer entre a população:
- Melhorar a conscientização pública sobre os diferentes sintomas do câncer e incentivar as pessoas a procurar atendimento quando eles surgirem.
- Investir no fortalecimento e estrutura dos serviços de saúde públicos e na capacitação dos profissionais de saúde a fim de realizar diagnósticos precisos.
- Garantir que as pessoas que vivem com câncer possam ter acesso ao tratamento seguro e eficaz, incluindo alívio da dor, que as dificuldades financeiras sejam impeditivas à saúde.
Como o câncer pode ser detectado?
Agora que você já sabe a importância do diagnóstico precoce do câncer, vou te explicar como funcionam alguns dos exames principais que nós solicitamos.
O exame de imagem tem o objetivo de permitir que os médicos vejam o que está acontecendo dentro do seu corpo. Esses testes utilizam diversas técnicas para “escanear” o interior do seu corpo: raios-X, ondas sonoras, partículas radioativas ou campos magnéticos. A interação entre esses elementos com os órgãos e tecidos formam a imagem que recebemos após a realização dos exames.
Com as imagens em mãos, os médicos podem avaliar como seu organismo está, se tem alguma suspeita de câncer e tomar as medidas necessárias.
A mamografia é utilizada para identificar o câncer de mama. Pode ser feita como teste de triagem em pacientes sem sintomas ou com suspeita da doença. Uma mamografia pode detectar o câncer de mama de forma precoce, ou seja, quando o nódulo ainda nem é percebido pela paciente.
O objetivo do ultrassom é transformar ecos em imagens em tempo real que mostram a estrutura e o movimento do órgão e até mesmo o fluxo sanguíneo. O ultrassom é recomendado para obter imagens de algumas doenças de tecidos macios que não aparecem tão bem nos exames de raio-X.
As radiografias auxiliam os médicos a procurar os tumores em diferentes partes do corpo: ossos e órgãos como estômago e rins. No geral, o exame é rápido e sem dor.
A endoscopia consiste na inserção de um tubo longo e fino no corpo para observar um órgão ou tecido com mais detalhes. O procedimento também tem outros usos além de detectar o câncer: cirurgias e obtenção de imagens. A endoscopia é um procedimento minimamente invasivo e, durante todo o exame, você estará dormindo. Pode ser utilizada para procurar cânceres nos pulmões, intestinos, uretra, abdômen, reto, etc.
A biópsia também é um procedimento recomendado para identificar o câncer. Ela consiste na retirada de uma pequena quantidade de tecido da área do corpo onde o câncer pode estar presente. Depois, essa amostra é enviada para um laboratório e as possíveis células cancerígenas são examinadas por um especialista chamado patologista.
Se você tem alguma dúvida ou relato sobre os exames, conte para mim nos comentários. No meu blog, escrevo diversos textos para orientar os pacientes oncológicos e também os familiares. Nesse momento, ter informação de qualidade é essencial!
Dr. Rafael Oliveira | Cirurgião Oncológico

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